Irã confia no Brasil, diz embaixador sobre questão nuclear
Para embaixador em Brasília, País não tem intenção de colonizar outras nações, como as potências ocidentais
O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh Yazdi, disse nesta segunda-feira, 8, em Brasília que seu país confia no governo brasileiro nas negociações sobre a questão nuclear iraniana.
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"Ao contrário de outros países, que reagiram contra o anúncio do presidente Ahmadinejad, o Brasil não pensa em colonizar outro país", disse. "Os países que reagiram têm forte armamento nuclear. Se falam a verdade sobre o Irã, que destruam primeiro os seus arsenais antes de dar conselhos aos outros."
Segundo o embaixador, assim como o programa nuclear brasileiro, o de seu país não tem a finalidade de produzir armamento e é voltado exclusivamente para a medicina, a agricultura e a geração de eletricidade, "no sentido do bem".
O diplomata afirmou ainda que, apesar de ter iniciado o processo para o enriquecimento de urânio a 20% dentro do Irã, seu país continua disposto a aceitar o acordo negociado com o P5+1 (Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha).
A proposta prevê a transferência do estoque iraniano de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% para a Rússia, que elevaria esse teor a 20% e transferiria para a França completar a produção de combustível para o reator de Teerã, que produz radiofármacos.
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Shaterzadeh insistiu que o anúncio feito pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sobre o enriquecimento em teor mais elevado ocorreu depois de concluído o prazo de dois meses para a negociação. Nesse período, o Irã insistiu para que a entrega de seu urânio fosse em três lotes e que a troca desse produto pelo combustível ocorresse simultaneamente.
No entanto, essas condições não foram aceitas pelo P5+1. "Vamos fabricar (o combustível), mas também continuar o diálogo. Se os ocidentais não impuserem condições, estamos dispostos a comprar o combustível", afirmou. "O Irã não vai dizer que está precisando dos ocidentais."
Do ponto de vista do Itamaraty, o anúncio de Ahmadinejad não implicará na produção em curto prazo do combustível nuclear que o Irã necessita para o funcionamento do reator produtor de radiofármacos. O país demoraria alguns anos para obter o produto acabado.
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