Irã culpa terroristas por morte de jovem em protesto no sábado
Governo diz que grupos que querem 'dividir nação' assassinaram Neda para acusar Teerã de 'diálogo cruel'
O governo iraniano disse nesta quarta-feira, 24, que o atirador que matou a manifestante Neda Agha-Soltan durante um protesto contra o resultado das eleições presidenciais pode ter confundido a jovem com a irmã de "um terrorista", informou a agência oficial Irna. Teerã culpou ainda "grupos que querem criar divisão na nação" pelo assassinato - cujo vídeo circulou na internet - e disse que esses militantes a mataram "para acusar a República Islâmica de diálogo cruel com a oposição", segundo a rede CNN.

Na terça-feira, o noivo da garota de 16 anos morta no sábado afirmou que as autoridades do país proibiram sua família de realizar um funeral público, de acordo com a BBC Brasil. Uma foto do rosto de Neda ensanguentado foi usada em protestos realizados na capital iraniana e em várias cidades do mundo.
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A jovem foi enterrada no domingo, no cemitério Behesht-e-Zahra, na zona sul de Teerã. "Eles nos pediram para sepultá-la numa parte do cemitério que, aparentemente, tinha sido separada pelas autoridades para fazer as covas para as pessoas mortas durante os protestos da semana passada", afirmou Caspian Makan.
Segundo ele, Neda não estava participando diretamente dos protestos. "Ela estava em um carro, com seu professor de música, a alguns quarteirões de distância, presa no congestionamento. Ela estava cansada e com muito calor, então saiu do carro por alguns minutos", disse o noivo.
"Foi aí que aconteceu. As testemunhas disseram e o vídeo mostra claramente que prováveis paramilitares Basiji à paisana atiraram nela deliberadamente. Ela foi atingida no peito", acrescentou. "Ela perdeu os sentidos poucos minutos depois. As pessoas ainda tentaram levá-la para o hospital mais próximo, mas já era tarde mais."
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