Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Internacional
Início do conteúdo

Irã diz à AIEA que começará a produzir combustível nuclear

Projeto para enriquecer urânio a 20% deve ser iniciado amanhã; governo diz que ainda pode negociar

08 de fevereiro de 2010 | 7h 22
Efe

O Irã informou oficialmente à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que começará a enriquecer urânio a 20% na planta de Natanz nesta terça-feira, 8, e que este programa não se limitará às necessidades de combustível do reator civil de Teerã.

Ahmadinejad assite a experiência com laser - Divulgação/Mer/AP
Divulgação/Mer/AP
Ahmadinejad assite a experiência com laser

Veja também:

link Total de jornalistas presos sobre para 55, diz oposição

Em declarações divulgadas nesta segunda-feira, 7, pela televisão estatal, o diretor do Organismo iraniano da Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, disse, no entanto, que a produção de combustível será interrompida se o país entrar em acordo com o Ocidente para a troca de combustível com as potências ocidentais.

Segundo o responsável iraniano, seu país já enviou uma carta a este respeito à AIEA na qual lhe assegura que o projeto se iniciará na terça-feira "na presença dos inspetores internacionais" na central de Natanz, onde o Irã supostamente tem cerca de 7 mil centrífugas.

"O enriquecimento de urânio para produzir combustível nuclear é um projeto a longo prazo e não se limitará às necessidades do reator de Teerã. O Irã ainda está à espera do sucesso do diálogo, se for assim, interromperemos a produção de combustível", afirmou Salehi, de acordo com a televisão.

O anúncio foi feito poucas horas depois que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, alimentou a tensão e a confusão que envolve o conflito nuclear com o Irã, ao revelar que tinha ordenado aos especialistas de seu país iniciar a controvertido projeto. O líder precisou, no entanto, que a decisão não significa que tenha sido desprezada a opção do diálogo.

Provocação

VEJA TAMBÉM:
especial Especial: O programa nuclear do Irã
especial Cronologia: O histórico de tensões

Ahmadinejad voltou a dizer nesta segunda que, apesar dos esforços e das conspirações, os "inimigos" da República Islâmica não conseguirão deter o progresso tecnológico e científico do país.

Em discurso transmitido ao vivo pela TV estatal, o chefe de Estado iraniano, sem citar nomes, acusou os mesmos adversários de terem matado o cientista nuclear Massoud Ali Mohammadi, vítima de atentado a bomba no mês passado.

"Vocês não são capazes de impor obstáculos ao desenvolvimento do Irã... Se acham que (com atos como) eliminar Ali Mohammadi conseguirão fechar nosso caminho rumo ao desenvolvimento, estão enganados", ressaltou o presidente a um grupo de jovens iranianos, incentivados por Ahmadinejad a iniciarem uma carreira científica.

A esse respeito, Ahmadinejad destacou que a ciência sem fé é inútil, mas que, "quando estes dois elementos se juntam, ocorrem grandes eventos". "Apesar de todos os esforços, não conseguiram derrotar a República Islâmica nos últimos 30 anos porque aqui desfrutamos desses dois elementos", ressaltou o chefe de Estado.

Concluído o ato, o presidente se reuniu com os membros da família de Ali Mohammadi, presentes no discurso, e entregou a eles um diploma.