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Irã diz que embargo ao petróleo não deterá programa nuclear

04 de fevereiro de 2012 | 16h 04
PARISA HAFEZI E RAMIN MOSTAFAVI - REUTERS

O ministro do Petróleo do Irã disse que a República Islâmica não abandonará seu programa nuclear mesmo que suas exportações do produto sejam suspensas, informou a agência estatal de notícias Irna neste sábado.

Mas ele também conclamou a União Europeia, que representava um quarto das vendas de petróleo bruto iraniano no terceiro trimestre de 2011, a rever sua decisão da semana passada de vetar as importações da commodity a partir de 1o de julho.

"Não abandonaremos nosso rumo nuclear justo, mesmo se não pudermos vender uma gota de petróleo", afirmou Rostam Qasemi aos repórteres, segundo a Irna.

A tensão com o Ocidente cresceu no mês passado, quando Washington e a UE impuseram as mais duras sanções até hoje sobre o Irã em uma tentativa de forçar o país a fornecer mais informações sobre seu programa nuclear.

As medidas objetivam interromper as vendas de petróleo bruto do segundo maior exportador da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Qasemi disse que o Irã não irá mais exportar petróleo para algumas nações europeias - ele não especificou quais - em retaliação à decisão dos 27 países da UE de frear a importação de petróleo iraniano.

"Nossas exportações de petróleo a certos países europeus certamente serão cortadas... decidiremos sobre outros países europeus mais tarde", disse Qasemi em uma coletiva de imprensa, de acordo com a Irna.

Ele exortou a Europa a reconsiderar seu embargo, e disse que o mercado de petróleo está equilibrado agora mas pode mergulhar no caos sem os suprimentos iranianos.

"Infelizmente a UE sucumbiu à pressão dos Estados Unidos. Espero que revejam sua decisão de impor sanções às exportações de petróleo do Irã", declarou Qasemi. "O mercado internacional de petróleo bruto viverá o caos na ausência do petróleo iraniano, com consequências imprevistas nos preços".

Entretanto, analistas dizem que o mercado global de petróleo não seria grandemente afetado se o Irã fechasse a torneira para a Europa.

A promessa da Arábia Saudita de compensar qualquer falta de petróleo do Irã enfureceu Teerã, que escreveu ao líder da OPEP pedindo a cooperação de seus membros.

"Temos esperança de que a Arábia Saudita reagirá positivamente à nossa justa demanda", disse Qasemi.

O embargo europeu veio na esteira das novas sanções assinadas pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que bloqueiam o acesso ao sistema financeiro norte-americano a qualquer instituição que lide com o Banco Central do Irã, o que tornaria impossível aos países a compra de petróleo iraniano.

Mas Qasemi disse que o embargo não interromperá as transações de petróleo de seu país, e também desdenhou relatos de que possa vender o produto a preços mais baixos.

(Reportagem adicional de Hashem Kalantari e Mitra Amiri)


Tópicos: IRA, PETROLEO, NUCLEAR*