Irã inicia abastecimento de primeira usina nuclear

Engenheiros do Irã e da Rússia iniciaram hoje o abastecimento de combustível da primeira usina nuclear iraniana. Os russos prometeram a não utilização desta usina para a produção de armas nucleares. Depois de anos de atraso, o abastecimento da usina de Bushehr, no sul do Irã, marca o início da produção de energia nuclear, que os Estados Unidos quiseram impedir. Não houve grandes objeções à usina de Bushehr, particularmente. A maior preocupação norte-americana é com outras usinas onde o Irã está acelerando o enriquecimento de urânio, um processo que produz combustível para usinas, mas também pode ser utilizado na produção de armas nucleares.

AE-AP, Agência Estado

21 Agosto 2010 | 10h46

Mesmo quando as autoridades nucleares do Irã afirmam que a usina tem apenas objetivos pacíficos, o responsável pela produção nuclear do país, Ali Akbar Salehi celebrou a inauguração como um "símbolo da resistência e paciência iraniana" diante da pressão ocidental. "Apesar de todas as pressões, sanções impostas pelos países ocidentais, nós estamos testemunhando agora o início do maior símbolo das atividades nucleares pacíficas do Irã", disse ele dentro da usina.

Washington e outros países não se opõem ao objetivo exposto do Irã de produzir energia nuclear, mas estão preocupados que, se o Irã dominar o ciclo de enriquecimento de urânio, ele possa começar a produzir armas nucleares coberto de forma conveniente por um programa pacífico de energia. O Irã nega tal intenção. Foi o trabalho de enriquecimento de urânio que levou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a realizar quatro rodadas para discutir sanções ao Irã.

A Rússia, que ajudou o Irã a terminar Bushehr, afirmou que irá evitar que o combustível produzido na nova usina seja desviado para possíveis programas nucleares. Depois de anos de atraso, Moscou disse que acredita que o projeto Bushehr é essencial para levar o Irã a cooperar com os esforços internacionais para garantir que o país não desenvolva uma bomba. Os Estados Unidos discordam do discurso russo e afirmam que o Irã não será recompensado enquanto ele continuar a desafiar o pedido da ONU para paralisar seu enriquecimento de urânio.

Neste sábado, o primeiro carregamento de combustível foi retirado de um armazém para abastecer uma "piscina" dentro do reator sob a observação de monitores da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU. Ainda serão necessários mais de dois meses para que o reator gere eletricidade para as cidades iranianas.

Salehi agradeceu ao governo russo pela ajuda e cooperação em uma entrevista à imprensa concedida dentro das instalações da usina em conjunto com o chefe da empresa nuclear estatal russa, Sergei Kiriyenko. Segundo ele, a Rússia sempre foi comprometida com o projeto. Os críticos do Irã consideram que o término da usina é um desafio contra as sanções do Conselho de Segurança da ONU, que procuram deter os demais avanços nucleares iranianos. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou que o país está pronto para voltar a negociar com as seis maiores potenciais que tentam refrear o enriquecimento de urânio do país. Ele afirmou, contudo, que irá rejeitar os pedidos de paralisar o processo.

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