Irã nega que caso da iraniana condenada seja questão de direitos humanos
Porta-voz rejeitou posição de países europeus em relação à condenação por apedrejamento de Sakineh Ashtiani.

O governo do Irã disse nesta quarta-feira que o caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, não é uma questão de direitos humanos e rejeitou o posicionamento de outros países em relação ao tema.
"A proteção de um indivíduo que é acusado de assassinato - assassinato e adultério são os dois principais crimes cometidos por esta mulher - não deve se tornar uma questão de direitos humanos", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, em uma coletiva transmitida pela rede de TV local Irinn.
Segundo o porta-voz, outros países "infelizmente estão defendendo uma pessoa que está sendo julgada por assassinato e adultério".
"Se a libertação de todas as pessoas que cometeram assassinato é exigida sob o pretexto de proteger os direitos humanos, então todos os países europeus podem trocar entre si listas de pessoas detidas por assassinato em seus países de origem e soltar todos os assassinos." Reação internacional
Ashtiani, 43 anos, foi condenada à morte por apedrejamento sob a acusação de adultério e a dez anos de prisão por cumplicidade no assassinato de seu marido.
A sentença causou uma enorme reação internacional para evitar sua execução, especialmente de países europeus, o que teria levado as autoridades iranianas a adiar a execução da sentença.
De acordo com Mehmanparast, o caso está sob revisão da Suprema Corte iraniana. Mesmo que a corte suspenda o apedrejamento, Sakineh ainda poderia ser condenada à morte por enforcamento ou à prisão perpétua.
Também nesta terça-feira, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, se disse chocado com o caso da iraniana e classificou a sentença como "bárbara" e "injustificada".
Em discurso realizado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo (leste da França), Durão Barroso afirmou que os direitos humanos não são negociáveis.
"Isto é bárbaro além do que palavras podem expressar. Na Europa, condenamos tais atos que não têm justificativa sob qualquer código moral ou religioso", disse, sob aplausos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a oferecer asilo para Ashtiani no Brasil, o que foi negado por seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
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