Islâmicos pressionam Junta Militar no Egito
Um ano após a queda da ditadura de Mubarak, Irmandade Muçulmana exige transição de poder imediata
CAIRO - Às vésperas do primeiro aniversário da queda do ex-ditador egípcio Hosni Mubarak, a Irmandade Muçulmana exigiu à junta militar egípcia que transfira o poder a um governo de coalizão formado pelo Parlamento, dominado pelo braço político do grupo islâmico. Os militares rejeitaram a pressão e denunciaram o risco de uma conspiração no país.

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Desde a morte de 74 pessoas durante a partida entre o Al-Ahly e o Al-Masry, na semana passada, a pressão sobre a cúpula militar tem crescido. Ontem, ativistas convocaram uma greve geral exigindo o fim do governo militar. Além disso, a junta vive um impasse com Washington que põe em risco a ajuda americana e empréstimos internacionais de bilhões de dólares ao Egito, cuja economia está à beira do colapso.
"Precisamos iniciar a formação de um governo de coalizão imediatamente, para tratarmos especialmente da situação econômica e do clima de ilegalidade neste país", afirmou Khairat el-Shater, um dos líderes da Irmandade Muçulmana.
No final do dia, um comunicado da junta foi divulgado na TV estatal. Nele, o Exército atacou "conspiradores" e descartou a possibilidade de apressar a transição. No pronunciamento, os militares disseram que seu dever é evitar que o Egito caminhe para o caos.
Disputa
A Irmandade, na verdade, está concordando com os manifestantes e os liberais quanto à necessidade de os militares deixarem o poder de uma vez. Mas os líderes do partido liberal dizem não desejar uma coalizão com os islâmicos, mesmo que seja para afastar os militares.
"Os liberais preferem ficar na oposição a deixar que a Irmandade imponha seu controle", disse Emad Gad, líder do Partido Social Democrático, alinhado com os seculares.
No debate sobre o momento dessa transferência, o que está em jogo é quem ficará no controle do país durante a elaboração da Constituição e a eleição de um presidente civil. O Exército exige que a Carta lhe dê poderes políticos e imunidades permanentes. Os civis temem que os militares queiram novamente manipular o processo constitucional em seu benefício.
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