Israel ataca frota de ajuda humanitária a Gaza e mata 'pelo menos 10 pessoas'

Ofensiva contra navios no Mar Mediterrâneo provoca reações da comunidade internacional

estadão.com.br e Agência Estado

31 Maio 2010 | 08h22

 

TEL AVIV - Israel atacou nesta segunda-feira, 31, um grupo de seis navios que transportava mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, deixando pelo menos dez pessoas mortas, segundo a imprensa israelense. A ação foi condenada por vários países e organismos internacionais, principalmente entre as nações árabes.

 

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Israel defendeu sua ação, argumentando que ativistas armados atacaram soldados israelenses enquanto eles eram levados de helicóptero para o convés de um navio. O Exército de Israel afirmou que a arma de um de seus soldados foi tomada e usada para atacar os próprios militares do país. Ainda segundo o Exército israelense, ficaram feridos pelo menos 12 ativistas e 10 militares israelenses.

 

A emissora de TV israelense Channel 10 citou 19 passageiros mortos e 36 feridos. Um porta-voz militar israelense disse que não estava claro quem havia disparado primeiro. As autoridades de Israel confirmaram nove mortos na embarcação e divulgaram um vídeo alegando que os ativistas abordaram seus soldados de forma hostil.

 

O governo de Israel havia dito durante a semana que não permitiria a entrada de quaisquer embarcações em águas da costa da Faixa de Gaza. Os israelenses, que permitem a entrada de ajuda humanitária a Gaza por fronteiras terrestres controladas, disse que a frota poderia desembarcar no porto de Ashdod. O Estado judeu mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o grupo militante palestino Hamas tomou o controle do território em 2007.

 

Esse ataque pode inflamar as tensões por todo o Oriente Médio - nações árabes e funcionários palestinos condenaram fortemente a ação israelense. A Turquia também reagiu duramente. Ancara apoiava publicamente a flotilha, que incluía embarcações turcas. O Ministério das Relações Exteriores da Turquia divulgou comunicado, acusando Israel de violar a lei internacional e descrevendo as ações desse país como "inaceitáveis". O país exigiu uma explicação.

 

 

O ataque ocorreu na madrugada desta segunda-feira, em águas internacionais no Mar Mediterrâneo, a 128 quilômetros da Faixa de Gaza. A União Europeia pediu uma investigação abrangente sobre o incidente. Antes da partida dos barcos, os organizadores da flotilha haviam informado que vários parlamentares europeus integrariam a frota humanitária, mas não está claro se algum desses políticos está entre as vítimas.

 

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse estar "profundamente chocado pelas consequências trágicas da operação militar de Israel", realizada contra "uma iniciativa humanitária". Em comunicado, Kouchner afirmou que "nada poderia justificar o uso de tal violência, que nós condenamos". O presidente francês, Nicolas Sarkozy, condenou o uso da força "desproporcional" por Israel.

 

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, condenou a perda de vidas e afirmou que esse incidente mostrou que há "uma clara necessidade de que Israel aja com comedimento".

 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem nesta semana um encontro marcado com o presidente dos EUA, Barack Obama, em Washington. A rádio Israel informou que Netanyahu deve encurtar sua visita oficial para o Canadá e os EUA, por causa da crise.

 

Árabes

 

Israel reforçou a segurança no país, nesta segunda-feira, temendo protestos de palestinos e mais distúrbios. Em Istambul, pelo menos 10 mil pessoas protestavam contra a ação israelense. Os manifestantes na maior cidade turca gritavam pedindo "vingança" contra Israel.

 

Através do diplomata paquistanês Marghoob Saleem Butt, a Organização da Conferência Islâmica, que representa países islâmicos, condenou a ação israelense. A Arábia Saudita qualificou o incidente como "uma violação muito séria da lei internacional".

 

O Egito convocou o embaixador israelense para pedir explicações. A Jordânia e a Espanha também condenaram a ação dos militares israelenses. A Turquia anunciou que estava retirando seu embaixador de Tel-Aviv. O escritório do primeiro-ministro israelense advertiu os cidadãos locais para que não viajem à Turquia, temendo retaliações.

 

A frota levava 10 mil toneladas de ajuda humanitária e, segundo os israelenses, não acatou o bloqueio imposto à Faixa de Gaza por Israel. As informações são da Dow Jones.

 

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