Israel bombardeia duas escolas da ONU com refugiados em Gaza
Pelo menos 40 palestinos morrem em ataques com tanques israelenses no 11º dia da ofensiva contra o Hamas
Funcionários do setor de saúde palestinos afirmaram nesta terça-feira, 6, que pelo menos 40 pessoas morreram e outras 55 ficaram feridas em um ataque aéreo israelense perto de uma escola das Nações Unidas, no norte da Faixa de Gaza. É o segundo ataque aéreo com mortes ocorrido em uma escola da ONU na região nas últimas horas, onde famílias que fugiram de suas casas por contra dos confrontos entre os soldados israelenses e os militantes do Hamas. Veja também: Israel expande incursão e ocupa 2ª cidade em Gaza Israel estabelece condição crucial para cessar-fogo Sarkozy pede que Síria pressione o Hamas por trégua Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito
Inteligência israelense mapeia região há um ano Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Assista ao vídeo sobre o caos humanitário no YouTube TV Estadão: as consequências do conflito em Gaza Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques Crise em Gaza move peão de ''guerra fria'' regional Conflitos constantes marcam famílias e gerações israelenses Mais de 600 pessoas foram mortas e outras 2.900 feridas na ofensiva, iniciada em 27 de dezembro, incluindo mais de 100 civis. Israel ainda não comentou os últimos ataques, mas já acusou no passado os membros do Hamas de usar escolas, mesquitas e áreas residenciais para se esconder. Dois disparos de tanque ocorreram do lado de fora da escola, lançando estilhaços em pessoas que estavam dentro e fora do prédio. No primeiro incidente, três pessoas morreram no ataque contra outra escola na Cidade de Gaza. O diretor de hospital Bassam Abu Warda afirmou que 30 pessoas foram mortas no ataque aéreo na cidade de Jebaliya, no norte de Gaza. A escola transformou-se em um abrigo para pessoas desabrigadas pela ofensiva israelense contra o grupo militante Hamas, que controla a Faixa de Gaza.
Palestinos fogem de suas casas e buscam abrigo em escolas da ONU. Foto: AP "Não há nada seguro em Gaza. Todos aqui estão aterrorizados e traumatizados", disse John Ging, principal funcionário da ONU na área. "Eu apelo aos líderes internacionais aqui e na região e no mundo para agirem juntos para interromper isso", pediu ele, falando do maior hospital de Gaza. "Eles são responsáveis por essas mortes". O Exército israelense não havia comentado essa ação. Sul ocupado As forças israelenses ocuparam na terça-feira uma cidade no sul da Faixa de Gaza e, após 11 dias de um conflito que já matou centenas de palestinos, Israel exigiu como condição para uma trégua que o grupo islâmico Hamas seja impedido de se rearmar. Enquanto os esforços internacionais por uma trégua se aceleraram depois do feriado do ano novo, testemunhas palestinas disseram que as forças israelenses invadiram Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, ampliando a ofensiva terrestre iniciada há quatro dias, após uma semana de bombardeios, sob a justificativa de impedir os militantes do Hamas de dispararem foguetes contra o território israelense. Na segunda-feira, o "fogo amigo" de um tanque de Israel matou três soldados israelenses e feriu 24 outros, o que gerou críticas à ação militar e ao governo em Israel. O Exército disse que um outro oficial israelense também morreu e existe a chance de que ele também tenha sido morto por "fogo amigo". Os militares israelenses dizem ter matado 130 militantes desde domingo, cifra que sugere que o número total de palestinos mortos desde 27 de dezembro pode se aproximar de 700, e que ainda pode haver cadáveres nos campos de batalha. Houve intensos combates durante a noite nos arredores da Cidade de Gaza, cujos moradores se escondem dentro das casas para evitar o conflito. Os hospitais palestinos já registraram 574 mortes. Nos últimos dias, entre dezenas de mortes contabilizadas, a maioria é de civis. Falta comida, água e energia para muitos dos 1,5 milhão de habitantes de Gaza. No sul de Israel, as escolas permanecem fechadas, e centenas de milhares de pessoas para abrigo quando ouvem as sirenes alertando para um novo ataque com foguetes. Fontes médicas palestinas, relatando as vítimas antes dos bombardeios nas escolas da ONU, disseram que 23 civis haviam morrido na terça-feira, sendo 10 atingidos por mísseis navais na costa da Faixa de Gaza. Dois militantes também morreram em combate. O conflito também já matou nove israelenses, sendo três civis atingidos por foguetes. Pelo menos cinco foguetes disparados da Faixa de Gaza caíram na terça-feira em Israel, sendo um deles dentro da cidade de Gadera, a 28 quilômetros de Tel Aviv, segundo a polícia. Uma menina de três anos ficou ferida. Pelo menos 12 pessoas de uma mesma família, incluindo sete crianças, morreram em um ataque aéreo israelense contra uma residência em Cidade de Gaza, disseram nesta terça-feira médicos e testemunhas. Os corpos da família Daya foram retirados dos escombros de uma casa no bairro Zeitun, no sul da cidade. A área foi atingida por dois mísseis israelenses durante a noite, segundo testemunhas. Entre os mortos havia sete crianças com idades entre um e 12 anos, três mulheres e dois homens. Um homem que passava pelo local também foi morto e pelo menos outras nove pessoas podem estar entre os escombros. Os funcionários do serviço de resgate chegaram ao local horas após o ataque. De acordo com testemunhas, um membro da família, Abu Hamza, é um membro do Hamas e vivia em um edifício de sete apartamentos, porém deixou o local com sua família no início da ofensiva israelense em Gaza, em 27 de dezembro. O grande número de mortes de civis causou condenação internacional e aumentou o temor pelo crescente desastre humanitário. Muitos moradores de Gaza estão sem eletricidade e água corrente, milhares estão desabrigados e muitos reclamam que estão ficando sem comida, pois a distribuição de auxílio humanitário foi prejudicada pela ação militar. Um funcionário do sistema de águas e esgotos de Gaza, Munzir Shiblak, disse que aproximadamente 800 mil pessoas em Cidade de Gaza e no norte do território não tinham água corrente desde a terça-feira. "Isso não é uma crise, isso é um desastre". Israel diz que não interromperá a operação militar até que as cidades ao sul do país estejam livres da ameaça dos foguetes palestinos e haja garantias internacionais de que o Hamas, apoiado por Síria e Irã, não voltará a estocar armas. Israel ainda culpa o Hamas pelas mortes de civis, alegando que o grupo intencionalmente se esconde em áreas residenciais densamente povoadas.
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