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Israel é um 'milagre' que precisa de ajuda, diz Obama

23 de julho de 2008 | 9h 54
CAREN BOHAN E ADAM ENTOUS - REUTERS

O candidato democrata à Presidência

dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu na quarta-feira um

sólido apoio a Israel, cuja existência ele qualificou como

"milagre". No mesmo dia, o senador teve discretos encontros com

líderes palestinos.

A visita a Israel tem um alvo claro, o eleitorado judeu dos

EUA.

"Estou aqui nesta viagem para reafirmar a relação especial

entre Israel e os EUA, ao manter o compromisso com sua

segurança, e a minha esperança de que eu possa servir como um

parceiro efetivo, seja como senador ou presidente, para trazer

uma paz mais duradoura à região", afirmou.

Em encontro com o presidente de Israel, Shimon Peres, Obama

disse que Israel é "um milagre que floresceu" desde sua

criação, há 60 anos. Mais tarde, usando um solidéu, ele

depositou flores brancas no memorial do Holocausto Yad Vashem.

"Que nossos filhos venham aqui e conheçam esta história,

para que possam somar suas vozes aos que proclamam 'nunca

mais"', escreveu Obama no livro de visitantes do museu.

Ele também esteve com o ministro da Defesa, Ehud Barak, e

com o líder oposicionista Benjamin Netanyahu. Mais tarde, ainda

iria se reunir com a chanceler Tzipi Livni e com o

primeiro-ministro Ehud Olmert.

Obama também foi a Ramallah, na Cisjordânia, onde passou

uma hora com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e com seu

primeiro-ministro, Salam Fayyad.

Mas, para não desagradar o eleitorado judeu dos EUA, ele

evitou dar muito destaque ao fato e não fez declarações

posteriores -- assessores disseram que ele iria divulgar mais

tarde uma nota a respeito.

Centenas de policiais palestinos, armados com rifles

automáticos, patrulhavam as ruas de Ramallah quando a comitiva

de Obama chegou. No caminho desde Jerusalém, o candidato passou

pelo muro que separa a Cisjordânia de Israel e também por

assentamentos judaicos, dois itens espinhosos no processo de

paz da região.

Antes da visita, o negociador palestino Saeb Erekat disse

torcer por um acordo com Israel ainda durante o mandato do

presidente George W. Bush nos EUA, que vai até janeiro. Caso

isso não seja possível, acrescentou, ele espera que o novo

presidente norte-americano "mantenha o rumo" e busque a paz de

forma "séria e expedita".

Em junho, Obama desagradou os palestinos ao dizer, num

evento judaico, que Jerusalém deveria ser a capital

"não-dividida" de Israel.

Os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado

a parte oriental de Jerusalém, que foi anexada por Israel sem

reconhecimento internacional. Israel diz que Jerusalém é sua

capital "eterna e indivisível".

Posteriormente, Obama disse que se expressou mal em seus

comentários.

(Reportagem adicional de Joseph Nasr em Jerusalém e Wafa

Amr em Ramallah)



Tópicos: EUAELEICAO, OBAMA, ISRAEL