Israel estabelece condição crucial para cessar-fogo em Gaza
Porta-voz: é preciso garantir que Hamas não se rearme; para Blair, fim de túneis de contrabando é solução
Israel estabeleceu nesta terça-feira, 6, a condição considerada chave para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, afirmando que um acordo de trégua deve incluir mecanismos que previnam que o grupo islâmico Hamas restabeleça sua estrutura bélica. "Prevenir que o Hamas se rearme é fundamento necessário para qualquer tipo de acordo para calma", afirmou Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro Ehud Olmert. Mais tarde, o ex-primeiro ministro britânico e negociador especial para o Oriente Médio, Tony Blair, afirmou que a trégua em Gaza só seria possível se os túneis na fronteira com o Egito, usados para fornecer armas aos militantes do Hamas, forem fechados. Veja também: Israel expande invasão e toma 2ª cidade em Gaza Amorim reitera pedido de cessar-fogo a Israel Inteligência israelense mapeia região há um ano Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Assista ao vídeo sobre o caos humanitário no YouTube TV Estadão: as consequências do conflito em Gaza Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques Crise em Gaza move peão de ''guerra fria'' regional Conflitos constantes marcam famílias e gerações israelenses Regev disse que a está foi a mensagem de Olmert para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que está na região para negociar o cessar-fogo para conter o conflito que já matou mais de 560 pessoas e feriu pelo menos 2.500. O porta-voz afirmou que o Hamas, que contrabandeia armas para dentro da Faixa de Gaza por túneis na fronteira com o Egito, usou a trégua de seis meses suspensa em dezembro para se rearmar, ampliando de 20 para 40 quilômetros o alcance de seus foguetes. "Sob nenhuma circunstância concordaremos com uma nova calma que permita que o Hamas amplie o alcance para 60 quilômetros e foguetes caiam nos arredores de Tel Aviv", afirmou. Israel, cujos líderes disputam o Parlamento nas eleições de 10 de fevereiro, deixou claro que sua prioridade na ofensiva em Gaza é garantir a segurança de seus cidadãos. O Hamas exige o fim do bloqueio econômico contra o território palestino como parte de qualquer trégua. O ex-primeiro-ministro do Reino Unido e atual enviado especial no Oriente Médio, Tony Blair, afirmou que um cessar-fogo na Faixa de Gaza poderia ser alcançado em poucos dias se forem cortadas as rotas que fornecem armas ao Hamas. Em declarações à "Rádio 4" da "BBC", Blair disse que todas as partes "responsáveis" na região deveriam trabalhar a favor de uma suspensão imediata das hostilidades. "Há circunstâncias nas quais podemos obter um imediato cessar-fogo, isso é o que as pessoas querem ver. Estas circunstâncias estão centradas muito em torno de uma ação clara de cortar o fornecimento de armas e dinheiro através de túneis que vão do Egito a Gaza", afirmou Blair. "Acho que se houver uma ação forte, clara, definitiva, nos dá o melhor contexto para um imediato cessar-fogo e para começar a mudar esta situação", disse o enviado do Quarteto de Madri para o Oriente Médio (formado pela ONU, Estados Unidos, União Européia e Rússia). Segundo Blair, o movimento islâmico Hamas, com o qual ele e outros representantes internacionais se negam a dialogar, está em contato com o Egito. O político admitiu que é "difícil julgar" se o Hamas está disposto a dar os passos necessários para acabar com a violência. "Eu espero que sim, porque, se realmente se preocupa com as pessoas em Gaza, há uma possível saída que poderia ser traduzida em uma interrupção imediata das hostilidades", acrescentou. Sobre a situação humanitária em Gaza, Blair disse que é um "inferno" e há uma situação de "efetiva zona de guerra". "Não é um território grande, é uma das áreas mais povoadas do mundo", acrescentou. Também pediu ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que trabalhe no conflito no Oriente Médio assim que assumir a Presidência, em 20 de janeiro.
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