Israel interdita passarela em local sagrado de Jerusalém
Havia temor de que sua demolição causasse uma reação violenta entre os árabes
JERUSALÉM - Israel interditou nesta segunda-feira, 12, uma passarela de pedestres que dá acesso ao local mais sagrado e volátil de Jerusalém. A estrutura de madeira, usada principalmente por turistas não-muçulmanos, era considerada insegura, mas havia temor de que sua demolição causasse uma reação violenta entre os árabes.

A passarela foi construída pelas autoridades israelenses como uma "gambiarra" depois que, em 2004, uma tempestade de neve e um terremoto destruíram uma ponte de pedra que ligava o Muro das Lamentações, cultuado pelos judeus, ao terreno onde ficam a mesquita de Al Aqsa e a Cúpula da Rocha.
Qualquer obra no terreno pode ser politicamente explosiva. Em 1996, durante o primeiro mandato de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro, a inauguração de uma nova entrada em um túnel usado por turistas perto do complexo desencadeou protestos dos muçulmanos e tiroteios que mataram 60 palestinos e 15 israelenses.
A passarela deveria ser demolida no mês passado, mas Netanyahu adiou a operação por orientação de diplomatas e autoridades de segurança, segundo fontes governamentais.
Netanyahu foi alertado de que retirar a estrutura e construir uma nova ponte poderia enfurecer os muçulmanos - especialmente no turbulento Egito -, por despertar suspeitas de que a obra poderia danificar a mesquita de Al Aqsa, segundo essas fontes. As autoridades, no entanto, garantiram que não haveria danos às edificações.
A passarela, condenada por engenheiros da prefeitura, é usada principalmente por turistas, já que os muçulmanos entram no complexo por outros acessos, e os judeus rezam do lado de fora, no Muro das Lamentações.
A imprensa israelense disse que Israel vai discutir o futuro da ponte com o rei da Jordânia, que tem a custódia dos locais islâmicos sagrados em Jerusalém.
O xeque Mohammad Hussein, múfti de Jerusalém e principal clérigo islâmico da cidade, disse que as autoridades religiosas muçulmanas são contra a demolição da atual estrutura e a construção de uma nova.
O complexo religioso fica na parte antiga de Jerusalém, capturada por Israel com a Cisjordânia na guerra de 1967, e posteriormente anexada ao país sem o reconhecimento internacional. Os palestinos querem que essa área seja parte de um Estado a ser criado na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
Os judeus reverenciam o local por ter abrigado um importante templo destruído no século 1o pelos romanos. As fundações que restam, na sua parede oeste, formam o atual Muro das Lamentações.
Para os muçulmanos, que tomaram Jerusalém dos cristãos bizantinos no século 7o, a Cúpula da Rocha marca o ponto onde Maomé iniciou sua viagem noturna ao céu.
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