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Israel não conta com Obama nas negociações de paz, diz Livni

Chanceler afirma conversas com palestinos é questão bilateral e não precisa de 'intervenção drástica' dos EUA

13 de novembro de 2008 | 17h 40
Reuters

O principal nome de Israel nas negociações de paz com os palestinos disse nesta quinta-feira, 13, que o governo israelense não precisa de nenhuma intervenção "dramática" da parte do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, depois que ele tomar posse, em janeiro. A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, que pode se tornar a primeira-ministra do país depois das eleições gerais de fevereiro, afirmou a líderes judeus em Nova York que a comunidade internacional deveria limitar-se a dar apoio às negociações de acordo com os parâmetros fixados na conferência de paz de Annapolis (Maryland), realizada há quase um ano.   As negociações viram-se prejudicadas por episódios de violência e por desavenças acirradas em torno da construção de assentamentos judaicos e do futuro de Jerusalém. Livni disse ter ficado satisfeita com o encontro de que participou no fim de semana passado com o Quarteto de mediadores - a União Européia (UE), a Rússia, a Organização das Nações Unidas (ONU) e os EUA - e líderes árabes (entre os quais palestinos). A reunião ocorreu em Sharm el-Sheikh (Egito).   Veja também: Principais desafios de Obama Nomes cotados para o gabinete de Obama Quem são os eleitores de Obama   Trajetória de Obama  Cobertura completa das eleições nos EUA   A ministra disse que falou o seguinte naquele encontro: "Não estamos pedindo a intervenção dos senhores. Essa é uma questão bilateral. Não queremos que tentem diminuir nossas diferenças. Não coloquem idéias novas sobre a mesa". "Sabemos o que estamos fazendo, somos suficientemente responsáveis. Precisamos da ajuda dos senhores apenas dando apoio ao processo segundo os parâmetros e provisões que já fixamos entre nós."   Já remotas, as chances de selar um acordo de paz neste ano parecem ter desaparecido por completo quando o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, tomou a decisão de renunciar devido a um escândalo de corrupção. O anúncio detonou os preparativos para a realização de eleições gerais no país no dia 10 de fevereiro.   Na qualidade de líder do partido Kadima, Livni não conseguiu formar um governo de coalizão no mês passado, mas a dirigente pode se tornar primeira-ministra depois do pleito. Segundo Livni, a maior prioridade de Obama seria responder à crise financeira dentro dos EUA.   A ministra das Relações Exteriores afirmou que, apesar de haver expectativas quanto à postura de Obama em relação ao Oriente Médio, a mensagem dela para o novo governo norte-americano era esta: "Os senhores não precisam fazer nada de dramático a respeito disso. A situação é tranquila. Nós temos as negociações de paz."   No discurso proferido durante um encontro da Federação-UJA em Nova York, Livni disse que os EUA eram um aliado, mas que Israel "não é um Estado que colocará seus problemas diante do governo americano um dia depois de o novo governo" tomar posse.