Israel prende ultraortodoxo que xingou soldada em ônibus
Repercussão de casos envolvendo radicais pode afetar governo de Benjamin Netanyahu
JERUSALÉM - A polícia de Israel disse ter prendido nesta quarta-feira, 28, um judeu ultraortodoxo acusado de chamar de "prostituta" uma recruta do Exército que se recusou a ir para o fundo de um ônibus.
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O incidente ocorre dias depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometer reprimir atos de intimidação por parte de radicais religiosos. A repercussão desses casos ameaça abalar a aliança política de Netanyahu com os partidos ultraortodoxos.
Muitas mulheres israelenses se queixam de serem pressionadas por homens ultraortodoxos a se sentarem no fundo dos ônibus, por causa de crenças religiosas contra a mistura dos sexos em público.
A soldada Doron Matalon disse à Rádio Israel que um judeu devoto a abordou e insistiu para que ela passasse para o fundo do ônibus, no qual ela embarcou perto do quartel onde serve, em Jerusalém.
"Foi assustador", disse Matalon, contando que não foi a primeira vez que enfrentou essa situação, mas que desta vez se sentiu mais confiante para desafiar. Segundo seu relato, ela disse ao homem: "Vá você para o fundo, se quiser. Assim como você não quer ver a minha cara, eu não quero ver a sua." E ainda acrescentou: "Estou servindo ao nosso país, o que infelizmente significa que também estou defendendo você."
O homem, segundo Matalon, respondeu gritando: "Prostituta, vá se sentar no fundo." Diante da confusão, o motorista parou o ônibus, e a polícia apareceu, disse ela.
O porta-voz policial Mickey Rosenfeld confirmou que um ultraortodoxo foi detido e "interrogado sobre suas motivações", mas não há por enquanto uma decisão de indiciá-lo.
Algumas linhas de ônibus que servem bairros predominantemente religiosos em Jerusalém e outras cidades são segregadas, apesar de queixas de grupos feministas que consideram que seus direitos foram violados.
Pela lei israelense, as mulheres podem se recusar a sentar no fundo, mas quando fazem isso elas correm o risco de sofrer agressões verbais e físicas.
Na terça-feira, milhares de ativistas fizeram uma manifestação na localidade de Beit Shemesh, perto de Jerusalém, contra incidentes em que judeus ultraortodoxos desferiram cusparadas e xingamentos contra mulheres e meninas que eles achavam que estavam usando trajes exibidos demais.
Alguns políticos ultraortodoxos dizem que as intimidações são feitas por uma minoria extremista, e que a polêmica está sendo alimentada por grupos interessados em incitar a opinião pública contra os ultraortodoxos, que têm em Israel uma influência política desproporcional à sua população.
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