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Israelenses vão às urnas em eleição equilibrada

Candidatos pedem que população participe da votação; tempo ruim pode provocar baixo comparecimento

10 de fevereiro de 2009 | 8h 06
Agências internacionais

  As eleições para o Parlamento de Israel, que definirão o próximo premiê do país, começaram nesta terça-feira, 10, e devem marcar uma grande guinada do país à direita. A campanha atraiu pouco entusiasmo, e o tempo frio e chuvoso através de Israel aumentou a possibilidade de haver um baixo comparecimento. Os principais candidatos foram às urnas e pediram aos israelenses que participem da votação. Cerca de 15% dos eleitores estavam indecisos nos dias finais da campanha, segundo as pesquisas.

 

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Os colégios eleitorais abriram suas portas às 7h (3h, Brasília). As 9.263 urnas distribuídas por todo o país já estão abertas e 5,2 milhões de israelenses poderão votar até as 22h (18h, Brasília), conforme informa a imprensa local. O dia amanheceu chuvoso em várias cidades de Israel, o que pode diminuir a participação dos eleitores, em um pleito em que serão escolhidos legisladores para as 120 cadeiras da Knesset. As forças de segurança de Israel estão em alerta e elevaram as precauções nas cidades fronteiriças com Gaza, enquanto os acessos à Cisjordânia permanecerão fechados até meia-noite, com exceção para urgências médicas.

 

A líder do governante Kadima, Tzipi Livni, emitiu seu voto em Tel Aviv no começo da manhã e disse que "muita gente" colocará na urna a mesma cédula que ela. Livni pediu aos israelenses que não votem "a partir do desespero e do medo, mas da esperança", e mostrou sua confiança em que "a chuva não impedirá as pessoas de votar". Su principal adversário e favorito no pleito, o líder do direitista Likud, Benjamin Netanyahu, pediu os votos dos direitistas, alertando de que a vitória não era certa. "No início, as pessoas pensavam que eu ganharia de qualquer modo, e se dissiparam em várias direções. Não podemos nos dar ao luxo e qualquer um que quer mudança deveria votar no Likud", afirmou Netanyahu enquanto votava em Jerusalém.

 

Avigdor Lieberman, cabeça de lista do partido de extrema direita Israel Beiteinu, foi a um colégio próximo a sua residência no assentamento judaico na Cisjordânia de Nokdim, e pediu a todos os cidadãos de Israel, "cristãos, muçulmanos e judeus" que votem e lembrem que "há um partido que pode fazer o trabalho". Ele também se mostrou otimista de que grande parte dos cidadãos vá às urnas e disse que "as pessoas votariam inclusive durante um furacão".

 

Outro dos primeiros a emitir seu voto foi o rabino Ovadia Yosef, líder espiritual do partido ultra-ortodoxo judeu Shas, que foi ao colégio eleitoral acompanhado do líder do partido, Eli Yishai. Yishai ressaltou que seu partido tem "muita fé" no resultado do pleito e que espera que o conservador Likud forme um governo de coalizão no qual sua formação esteja incluída. O pacifista Chaim Oron, líder do partido Meretz, votou no kibutz de Lahav, no sul de Israel, e pediu aos eleitores de esquerda que apostem em sua formação. "As eleições de hoje são sobre a educação, segurança e economia do futuro de Israel", disse.

 

A disputa que começou como uma das mais monótonas e sem energia se transformou em um drama político, mas com limites definidos: está claro que o bloco conservador tem vantagem. Dos quatro candidatos na frente das sondagens - e cujos partidos devem obter o maior número de cadeiras no Parlamento - três são conservadores. O líder do partido Likud, Netanyahu, que antes liderava com folga as pesquisas de opinião, perdeu terreno para Livni desde a guerra de 22 dias no mês passado, em que 1.300 palestinos e 13 israelenses foram mortos.

 

Os resultados oficiais serão divulgados no próximo dia 18 de fevereiro e o Parlamento formado após as eleições entrará, de forma interina, em 2 de março. O presidente manterá consultas com os diferentes partidos e deverá dar a missão de formar o governo ao candidato em melhor posição para consolidar uma maioria de 61 deputados. Para essa tarefa, o escolhido terá 28 dias, ampliáveis a mais duas semanas. O primeiro-ministro Ehud Olmert, que deixa o cargo após um escândalo de corrupção em setembro, ficará no cargo até que o novo gabinete tome posse.

 

Gabinete conservador

 

Os favoritos são Benjamin "Bibi" Netanyahu, líder do partido de direita Likud, e Tzipi Livni que, apesar de ser do partido de centro Kadima, também é originária do Likud. O terceiro na preferência do eleitorado é a grande surpresa dessas eleições: o imigrante russo ultranacionalista Avigdor Lieberman, do partido Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa). Se as pesquisas se confirmarem, seu partido passará de 11 para 18 cadeiras no Parlamento (no total são 120) e qualquer um que vença a votação terá de conseguir seu apoio para formar um novo governo. Só na quarta colocação aparece um candidato de esquerda: o trabalhista Ehud Barak, atual ministro da Defesa.

 

Num cenário como esse, a escolha mudará radicalmente a cara do Oriente Médio nos próximos anos. O conflito com o grupo islâmico Hamas, que deixou 1.300 palestinos e 13 israelenses mortos, fez da segurança o tema dominante da campanha eleitoral. Estão em jogo no plano externo as negociações de paz com os palestinos e o mundo árabe, além das relações com o Irã. Internamente, a resolução das tensões entre a maioria judaica da população (75%) e a minoria árabe (20%), entre outras questões.

 

Bibi, o favorito, tem a seu favor a experiência. Ele já foi premiê (entre 1996 e 1999), chanceler (2001-2002) e ministro das Finanças (2003-2005). Ao longo de todos esses anos, construiu uma imagem de político astuto, sempre com uma resposta na ponta da língua. Seus partidários elogiam sua visão estratégica e capacidade de negociação. Seus críticos, o acusam de ser oportunista e vira-casaca. Ao ser eleito em 1996, Bibi prometeu não fazer concessões políticas e territoriais ao então presidente palestino, Yasser Arafat. Na época, uma onda de atentados terroristas havia corroído o apoio aos Acordos de Oslo, firmados dois anos antes. Um ano depois, porém, ele aceitou entregar a cidade de Hebron, na Cisjordânia, aos palestinos sob pressão dos EUA. "Netanyahu não sabe lidar com pressões", dizia o ex-premiê Ariel Sharon.

 

O único obstáculo é a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, que passou para o Kadima em 2005. Na campanha, os marqueteiros do Likud enfatizaram a inexperiência política de Tzipi, que começou sua carreira no Parlamento há apenas sete anos. Mas também é esse um dos trunfos da chanceler, vista como honesta pelos eleitores. Num país onde experiência militar também ajuda, Tzipi se beneficia do fato de ter trabalhado como agente do Mossad, nos anos 80, e de ser filha de uma das principais figuras do Irgun,movimento de resistência que atuou na região antes da criação do Estado judeu, em 1948.

 

Pouco se sabe da vida pessoal da chanceler - considerada a mulher mais poderosa do país desde a primeira-ministra Golda Meir, nos anos 70 - além de que ela é mãe de dois filhos e vegetariana. No ano passado, Tzipi foi colocada em 52º lugar na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Forbes. Seus críticos acusam-na de ser uma política inábil e lembram um episódio ocorrido em outubro, após a renúncia do premiê e então líder do Kadima, Ehud Olmert, eleito em 2006. Como nova líder do partido, Tzipi tinha o direito de substituí-lo sem que fosse necessária a convocação de novas eleições. Bastava receber o apoio de 61 parlamentares. Mas, após três semanas de intensas negociações, ela desistiu de angariar apoio e pediu ao presidente Shimon Peres que convocasse a votação.

 

  

(Com Daniela Kresch, de O Estado de S. Paulo)



Tópicos: Israel, Eleições