Itália declara estado de emergência por fluxo de imigrantes
Conselho de Ministros toma decisão para conter o número de imigrantes ilegais, considerado 'excepcional'
O Conselho de Ministros italiano declarou nesta sexta-feira, 25, estado de emergência em todo o território nacional para fazer frente ao fluxo de imigrantes que chegaram ao país nos últimos meses, qualificado pelo governo como "excepcional."
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O Executivo informou em comunicado que, "com o objetivo de aumentar as medidas para balancear e gerenciar o fenômeno (de imigração ilegal)", o Conselho de Ministros aprovou a proposta do ministro do Interior, Roberto Maroni, de declaração de estado de emergência.
Maroni disse que a medida responde à necessidade de combater a imigração clandestina, "já que no primeiro semestre de 2008, duplicou o número de chegadas em comparação com o ano anterior, com um total de 10.611 pessoas, frente as 5.378 do mesmo período um ano antes."
A decisão do governo gerou duras críticas da oposição, que considera as explicações do Executivo insuficientes para justificar a medida. A porta-voz do Partido Democrata (PD), Anna Finocchiaro, declarou que esse tipo de anúncio, "sem explicar por qual razão se adotou a medida, serve somente para alimentar o sentimento de medo dos cidadãos italianos."
O porta-voz do PD na Câmara dos Deputados, Gianclaudio Bressa, classificou a decisão como "abominável" e o vice-presidente da Câmara baixa, o democrata-cristão e antigo aliado do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, Rocco Buttiglione, a chamou de "desumana."
Nesta mesma linha, o governador de Puglia, o progressista Nichi Vendola, afirmou que "nós estamos dando um passo fora da democracia, esta declaração de estado de emergência é um pedaço de fascismo."
Diante da situação, o presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, pediu ao governo que antes de terça-feira explique a decisão. Por outro lado, o responsável pelo departamento das liberdades civis e imigração, Mario Morcone, explicou que a declaração de "estado de emergência" é um procedimento que começou a ser utilizado em março de 2002, repetindo-se anualmente até 2007.
Morcone disse que em 2008, graças a melhoras na estrutura dos centros de recepção dos imigrantes, a aplicação da medida se limitou as regiões de Calábria, Puglia e Sicília, ao sul do país, mas que o grande fluxo imigratório dos últimos meses obrigou a estender a medida a todo o território novamente.
Ele afirmou ainda que nos centros de recepção de imigrantes da Itália há 7.359 cidadãos estrangeiros atualmente, que provém principalmente da Somália e da Eritréia.
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