Itália garante que Irã ainda não tomou decisão sobre pena de Sakineh
Informações são resposta a advogado e filho de iraniana, que acreditam em sua execução iminente
ROMA- O ministro de Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, garantiu nesta segunda-feira, 6, que as autoridades iranianas não tomaram nenhuma decisão sobre Sakineh Mohammad Ashtiani, condenada a apedrejamento por adultério e envolvimento no assassinato de seu marido.
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Frattini afirmou em uma entrevista à Radio 1 que o embaixador italiano no Irã se reuniu recentemente com vários funcionários iranianos "que o garantiram que ainda não foi tomada nenhuma decisão (sobre Sakineh)".
Assim, o ministro respondeu aos temores de um dos dois filhos de Sakineh, Sajjad Mohammadi Ashtiani, que afirmou hoje acreditar que sua mãe deve ser apedrejada na próxima sexta, no fim do Ramadã, o mês sagrado muçulmano.
Segundo o chefe da diplomacia italiana, o atual silêncio das autoridades iranianas pode ser interpretado como "um momento de reflexão" sobre o futuro de Sakineh após a forte repercussão internacional sobre o seu caso.
"Não é um mistério que existe agora no Irã um debate alimentado por quem se pergunta se convém ao país ficar ilhado", acrescentou Frattini.
Em 31 de agosto, tanto o chanceler como a ministra italiana para a Igualdade de Oportunidades, Mara Carfagna, pediram ao regime iraniano "um ato de clemência", e foram colocadas fotos de Sakineh em vários edifícios públicos da Itália.
Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento e, posteriormente, alterada para enforcamento.
Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.
O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido.
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