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Itamaraty diz ter feito proposta formal ao Irã para receber Sakineh

Governo, porém, afirma não ter recebido resposta de Teerã sobre condenada à morte

09 de agosto de 2010 | 16h 15
Jamil Chade - O Estado de S. Paulo

GENEBRA - O Itamaraty informou nesta segunda-feira, 9, que fez uma oferta oficial ao governo do Irã para receber a iraniana condenada à morte por adultério, Sakineh Ashtiani, como refugiada. Fontes diplomáticas revelaram ao Estado que a proposta foi feita em Teerã, ainda na semana passada. Trata-se, portanto, de um passo além da proposta feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de receber Sakineh, feita em um discurso num comício em prol da candidatura de Dilma Rousseff.

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O governo iraniano indicou publicamente na segunda-feira da semana passada que Lula não estaria bem informado sobre o caso, em uma declaração que diplomatas brasileiros consideraram com uma negativa em relação à ideia do presidente. Poucos dias depois, o Itamaraty fez a oferta por meio de diplomatas, ainda que nenhuma carta oficial tenha sido entregue. "O governo do Irã recebeu oficialmente a nossa proposta", afirmou um diplomata brasileiro próximo ao dossiê.

O Itamaraty aponta que, por enquanto, o regime de Mahmoud Ahmadinejad não disse por canais oficiais que rejeitava a oferta feita pela chancelaria. Mas os diplomatas brasileiros sabe que as chances de o Irã entregar a mulher condenada são pequenas. Isso porque sua condenação também foi modificada para também ficar caracterizado sua participação no assassinato do marido. Tanto ela como seu advogado rejeitam as acusações.

Há uma semana, a Corte Suprema do Irã negou um pedido dos advogados de defesa para rever o caso, o que indicaria que a sentença de morte estaria mantida. Uma decisão sobre como Sakineh seria executada seria anunciada nesta semana. Mas seu advogado, Mohammad Mostafaei, acredita que o regime iraniano sabe que, com a publicidade internacional sobre o caso, estará dando um tiro no pé se a executar de fato.

No sábado, Mostafaei desembarcou na Noruega, depois de ter fugido do Irã para a Turquia. A liberação veio depois que o governo da Noruega discretamente passou a intervir no caso e lhe ofereceu asilo. No fim de semana, a esposa do advogado que também havia sido presa, ainda que sem motivos aparentes, foi liberada. O governo da Noruega foi amplamente elogiado pelo trabalho discreto.

Também nesta segunda, porém, a Anistia Internacional acusou a Noruega de apenas criticar países menores e poupar críticas contra violações aos direitos humanos na China, Rússia e EUA.