Japão acha difícil retomar diálogo nuclear com Coreias
As negociações de seis partes para fim do programa nuclear da Coreia do Norte - entre as Coreias do Sul e do Norte, Estados Unidos, Japão, Rússia e China - não devem ser retomadas em breve, em consequência do "sentimento sul-coreano em relação ao naufrágio do navio Cheonan", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Japão, Katsuya Okada, para seu colega chinês, Yang Jiechi, hoje, segundo informações do secretário de imprensa de Okada. "Não será fácil retomar as negociações de seis partes imediatamente", afirmou Satoru Sato, secretário de imprensa do ministro das relações exteriores, em entrevista concedida para a imprensa japonesa logo após o encerramento do terceiro Diálogo Econômico de Alta Cúpula China-Japão, em Pequim.
Coreia do Sul, Japão e EUA, assim como outros países, acusaram a Coreia do Norte de ser responsável pelo afundamento de um navio de guerra da Coreia do Sul em março, mas Pyongyang negou qualquer envolvimento no incidente, que provocou a morte de 46 marinheiros sul-coreanos. A Coreia do Sul não quer retomar as negociações de seis partes a menos que a Coreia do Norte mostre atitude responsável em relação ao naufrágio e tomes medidas para o desarmamento nuclear.
De qualquer modo, tanto o Japão quanto a China partilham da visão de que as negociações são muito importantes e irão cooperar para prosseguir com as negociações e para o desarmamento nuclear da Coreia do Norte, disse Sato.
A China tem acelerado seus esforços para retomar o diálogo. No início do mês, enviou o representante especial para assuntos da Península Coreana, Wu Dawei, para Pyongyang para promover a relação da Coreia do Norte com as outras partes.
Okada também levantou a questão da visita do líder da Coreia do Norte, Kim Jon Il, à China durante o diálogo com Yang, mas "Yang não respondeu à pergunta", disse Sato. Kim provavelmente retornou para a Coreia do Norte hoje, com apoio diplomático e financeiro para a transferência do poder para seu filho mais novo, após se reunir com o presidente da China, Hu Jintao, na cidade de Changchun, no noroeste da China, ontem, disseram a imprensa sul-coreana e japonesa.
Relação Japão-China
Em relação à economia, o Japão expressou preocupação com o controle da China sobre as exportações de terras raras, metal utilizado na indústria de tecnologia, pedindo a Pequim que garanta oferta suficiente do material para o mercado global, uma vez que restrições irão afetar cadeias globais de indústrias tais como de fabricantes de computadores e até para as próprias indústrias chinesas.
Em resposta, o ministério do Comércio da China, Chen Deming, defendeu a política da China, dizendo que as restrições sobre as exportações de terras raras ajudarão a proteger o meio ambiente, informou a agência de notícias Xinhua. A China é o maior produtor de elementos de terras raras, utilizados na fabricação de motores híbridos, memórias de computadores e componentes de alta tecnologia.
O Japão também pediu tratamento igual para as indústrias fabricantes de automóveis que atuam na China e que fabricam veículos movidos a novas energias, uma vez que as recentes políticas chinesas favoreceram as companhias domésticas.
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