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Jovem morta no Irã transforma-se em ícone de protestos

Imagens de Neda agonizando espalham-se pela internet e começam a estampar cartazes nas manifestações

22 de junho de 2009 | 10h 08

 As imagens da morte de Neda Soltani, gravadas em um telefone celular e colocadas posteriormente na internet, deram a volta ao mundo já transformaram a jovem de 16 anos em um símbolo da revolta reformista. A adolescente participava dos protestos no sábado com o pai e amigos quando foi atingida por um tiro. As imagens são fortes e desaconselháveis para menores de 18 anos.

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Horas após a sua morte, o rosto ensanguentado da menina já estampava pôsteres e cartazes nas manifestações. O vídeo foi originalmente postado no Facebook por um iraniano que vive na Holanda e teria sido feito por um amigo em Teerã, um médico que tentou salvar a estudante de filosofia. Neda aparece em dois vídeos: o primeiro ainda viva, durante o protesto, e no segundo agonizando enquanto tentam salvar a sua vida.

As pessoas que postaram o vídeo dizem que a mulher foi alvejada por um miliciano Basij, um grupo paramilitar pró-governo. A informação não pode ser confirmada de modo independente, já que o trabalho da mídia está sob restrições e o governo iraniano não divulgou informações sobre a morte.

Uma conhecida da família de Neda, que pediu anonimato, disse que ela trabalhava meio período em uma agência de viagens, no Irã, e que o governo impediu a família de participar de um funeral público na segunda-feira. O governo iraniano proibiu todas as manifestações, mas não houve outros relatos sobre funerais públicos.

As imagens são uma amostra poderosa da capacidade de as pessoas comuns documentarem eventos no Irã, apesar das restrições do regime ao trabalho da imprensa e à internet e aos telefones. Os limites impostos em meio aos protestos após a contestada eleição de 12 de junho tornam a busca por detalhes sobre a mulher e os eventos que cercaram sua aparente morte uma tarefa difícil.

A imagem da jovem pode ter um impacto no Irã, onde a ideia do martírio é importante para os muçulmanos xiitas, maioria no país, uma fé fundada na ideia do autossacrifício e na causa da justiça. As mortes na Revolução Islâmica, de 1979, produziram um ciclo de marchas fúnebres que contribuíram para a queda do ditador apoiado pelos EUA, o xá Reza Pahlevi.

Nesta segunda-feira, 22, o gabinete do procurador-geral de Teerã afirmou que "vândalos desconhecidos" abriram fogo e mataram pessoas em manifestações pós-eleitorais na capital iraniana no sábado, disse a estatal Press TV. No domingo, a TV estatal disse que dez pessoas haviam sido mortas em confrontos entre a polícia e "terroristas" durante os protestos da noite anterior em Teerã. Um importante oficial da polícia também foi citado dizendo que os policiais não haviam atirado.

A Press TV, canal estatal de televisão de língua inglesa do Irã, disse em seu website na segunda-feira que o gabinete do procurador-geral havia informado que alguns sabotadores armados haviam aberto fogo contra civis e matado pessoas. "Vários dos cidadão de Teerã foram mortos a tiros por vândalos desconhecidos na noite de sábado", disse o gabinete, citado pela Press TV, acrescentando que um homem armado envolvido com a violência havia sido preso. Fontes judiciárias não estavam disponíveis para comentar.