Karzai questiona disposição de aliados em agir contra o Paquistão
Presidente afegão diz que luta contra o terrorismo deve ser dar em campos fora de seu país
CABUL - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, questionou nesta quinta-feira, 29, a disposição de seus aliados do Ocidente a atacar bases de militantes islâmicos no vizinho Paquistão e de pressionar o governo de Islamabad a combater de forma mais convicta a insurgência Taleban.
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Leia a íntegra no Wikileaks (Em inglês)
"A guerra contra o terrorismo não é nos vilarejos e casas do Afeganistão, mas nos santuários, fontes de formação e treinamento de insurgentes, e eles estão fora do nosso país", disse Karzai", referindo-se às evidências apresentadas em documentos secretos dos EUA vazados que mostram o apoio do Paquistão ao Taleban.
"É diferente questionar se o Afeganistão pode combater o Taleban, mas nossos aliados tem condições disso. A questão agora é se eles vão ou não tomar essas ações" contra a política de apoio de Islamabad à insurgência, completou o presidente afegão.
Os documentos, divulgados no domingo pelo site Wikileaks, mostram que O Serviço de Inteligência do Paquistão colabora ativamente com o Taleban no planejamento de ataques contra o Afeganistão. Islamabad, porém, nega qualquer vínculo com os terroristas.
"Estes documentos provam que o Afeganistão estava certo sobre a causa da guerra neste país", declarou Karzai, que tachou de "extremamente irresponsável" a aparição de nomes de informantes afegãos nos papéis. O presidente disse que o governo já conhecia os dados divulgados nos documentos e havia alertado a respeito.
Karzai, porém, evitou criar rusgas nas relações com o Paquistão. "No futuro, claro que continuaremos nossos esforços para estabelecer relações amigáveis, estáveis e firmes com todos os nossos vizinhos", disse o presidente, que disse precisar de 150 mil soldados da coalizão internacional que combate a insurgência no país para cumprir a meta de colocar as forças nacionais como responsáveis pela segurança até 2014.
O presidente afegão lançou no início do ano um plano de paz e reconciliação com o Taleban. Durante meses, houve notícias de que autoridades estiveram se encontrando com líderes insurgentes, mas ambas as partes negaram as reuniões na maioria das vezes.
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