Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Internacional
Início do conteúdo

Líder das prisões do Khmer Vermelho pega prisão perpétua

Kaing Guek Eav foi responsável pela morte de até 16 mil pessoas durante ditadura no Camboja

03 de fevereiro de 2012 | 9h 40
Associated Press

PHNOM PENH - A Suprema Corte do Camboja condenou nesta sexta-feira, 3, o ex-chefe do sistema prisional do Khmer Vermelho à prisão perpétua por conta dos "crimes chocantes e hediondos" cometidos contra o povo durante a ditadura dos anos 70. A decisão substituiu a pena prevista anteriormente, que era de 19 anos.

Duch disso no tribunal que 'apenas estava cumprindo ordens' - ECCC/Divulgação
ECCC/Divulgação
Duch disso no tribunal que 'apenas estava cumprindo ordens'

Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, foi o primeiro integrante do Khmer Vermelho a ser julgado no tribunal especial para réus do regime. Ele comandou a prisão secreta de Tuol Sleng, de codinome S-21, e admitiu supervisar a tortura de prisioneiros antes de enviá-los à execução nos "campos de matança".

Em julho de 2010, ele havia sido condenado em pela baixa corte do tribunal por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, tortura e assassinato. Foi sentenciado a 35 anos. Promotores pediam a prisão perpétua, mas Duch considerava a pena exagerada, já que, diz, apenas seguia ordens.

O juiz Kong Srim, porém, disse nesta sexta-feira que a Suprema Corte acreditava que a pena deveria ser ampliada porque Duch foi responsável pela morte de muitos cambojanos. "Os crimes de Kaing Guek Eav foram chocantes e hediondos, baseando-se no número de pessoas que foram mortas", disse. Estimativas apontam que até 16 mil pessoas podem ter morrido sob seu controle.

A corte afirmou que o alto número de mortes e o extenso período de tempo durante o qual tais crimes foram cometidos torna o caso do Khmer Vermelho "indubitavelmente um dos mais graves da história dos tribunais internacionais".

O tribunal do Khmer Vermelho busca justiça para cerca de 1,7 milhão de pessoas que morreram de fome, exaustão, falta de cuidados médicos e torturadas durante o regime do Khmer Vermelho (1975 - 1979). Três outros líderes do regime estão sendo julgados, embora não admitam responsabilidade nas atrocidades. Eles são Nuon Chea, de 85 anos, o vice-líder do regime; Khieu Samphan, de 80 anos, ex-chefe de Estado; e Ieng Sary, de 86 anos, ex-chanceler.