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Líder de oposição no Zimbábue viaja após confisco de passaporte

14 de agosto de 2008 | 12h 56
NELSON BANYA - REUTERS

Autoridades do Zimbábue confiscaram por

um curto período da quinta-feira o passaporte do líder

oposicionista Morgan Tsvangirai, ameaçando impedi-lo de deixar

o país para participar de uma cúpula regional na África do Sul,

disse um integrante do partido Movimento para a Mudança

Democrática (MDC), ao qual pertence o político.

Tsvangirai disse ter sido convidado para comparecer à

cúpula da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral

(SADC, na sigla em inglês), que terá o presidente sul-africano

Thabo Mbeki como anfitrião. Mbeki media um acordo para a

partilha do poder no Zimbábue entre a oposição e o presidente

zimbabuano, Robert Mugabe.

Mas a partida do líder oposicionista foi atrasada depois

quando agentes da Organização Central de Inteligência

confiscaram os documentos emergenciais de viagem usados por

Tsvangirai, além dos passaportes de outros integrantes de seu

partido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em

inglês).

As negociações sobre um governo de coalizão entraram em um

impasse nessa semana devido a divergências em torno dos postos

de liderança.

Andrew Chadwick, autoridade do Movimento pela Mudança

Democrática, disse que os documentos foram devolvidos sem que

fossem dadas explicações.

"Eles estão com os passaportes agora. Eles partirão (para a

África do Sul) no vôo das 18h (13h em Brasília)."

Tsvangirai tem usado documentos emergenciais de viagem

desde que o governo do Zimbábue se recusou a renovar o

passaporte do líder oposicionista quando o documento venceu.

O incidente deve elevar as tensões entre Mugabe e

Tsvangirai, além de provocar constrangimento a Mbeki, criticado

por ser brando demais com o presidente do Zimbábue, alegando

que pressões somente agravariam os problemas do país.

A repórteres, Tsvangirai havia dito pouco antes da

apreensão de seu documento de viagem, ter certeza sobre a

retomada das negociações com Mugabe.

Segundo o oposicionista, o processo não poderia ser

avaliado devido ao impasse em torno de uma questão. E disse que

sempre haveria pessoas capazes de superar esses impasses.

Questionado pelos repórteres sobre se confiava na

assinatura de um acordo, Tsvangirai respondeu: "Ah, sim, claro.

Obtivemos nossa independência depois de quantas negociações?

Centenas de encontros foram realizados."

As discussões sobre a formação de um governo conjunto

iniciaram-se no mês passado depois de, em junho, Mugabe ter

concorrido como candidato único no segundo turno das eleições

presidenciais. O processo foi condenado pela comunidade

internacional e boicotado por Tsvangirai por causa das

agressões sofridas por simpatizantes dele.

Até agora, as negociações realizadas em Harare, ao longo de

três dias, não resultaram em um acordo.