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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009, 09:00 | Online
Líder do Hezbollah diz que opções estão abertas contra Israel
Grupo militante libanês ataca israelenses por operação militar em Gaza e critica líderes árabes por omissão
Agências internacionais
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Nasrallah advertiu o país, afirmando que Israel não pode destruir o Hamas, grupo militante que controla a Faixa de Gaza, e sofreria outra derrota se decidisse atacar o Líbano. Os comentários representam uma escalada na retórica, pois antes o líder do Hezbollah apenas apoiou verbalmente os combatentes do Hamas na luta contra Israel. Há o temor de que possa aumentar a tensão também na fronteira norte israelense, onde está o Líbano.
Ele criticou diretamente os egípcios, por não abrir sua fronteira com Gaza, apesar do número de mortos. "O governo do Egito precisa mais que 650 vítimas e 2.500 feridos para abrir a passagem de Rafah de uma vez por todas, para ajudar o povo de Gaza rumo à vitória?", questionou. "Eu estou simplesmente pedindo a abertura de uma passagem e não outra frente de batalha".
O líder do Hezbollah elogiou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por expulsar o embaixador de Israel do país em protesto pela ação militar em Gaza. Para Nasrallah, todos os países, incluindo os árabes, deveriam seguir o exemplo deste "grande líder latino-americano" para mostrar sua solidariedade com os palestinos.
Nasrallah fez a chamada em discurso diante de milhares de simpatizantes, a fim de comemorar o dia da Ashura, a festa mais importante dos xiitas e na qual se lembra a morte do imame Hussein, neto do profeta Maomé. O líder do Hezbollah se dirigiu especialmente ao primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, a quem qualificou de "derrotado" devido a seu papel no conflito no Líbano em 2006. Segundo Nasrallah, Olmert disse ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante a visita do líder europeu na segunda-feira a Jerusalém, que "hoje seria o Hamas e amanhã, o Hezbollah".
"Eu digo a eles (aos israelenses) que seus aviões não nos dão medo e que estamos prontos para qualquer agressão", acrescentou. "Se tentarem entrar em nossas vilas e em nossa terra, verão que a guerra de julho (de 2006) foi um piquenique comparado ao que encontrarão agora", afirmou. O Hezbollah e Israel travaram um confronto de 33 dias, a partir de 12 de julho de 2006, depois que o grupo xiita libanês capturou dois soldados israelenses em um ataque ao outro lado da fronteira israelense.
Israel já advertiu o Hezbollah para que não inicie uma segunda frente de batalha, afirmando que retaliaria com violência qualquer investida do grupo. Em 2006, o país e o grupo travaram uma guerra no sul libanês.
Desde o início dos ataques em Gaza, o país tem sido palco de vários protestos em favor do território palestino, em que libaneses e palestinos foram às ruas para pedir um cessar-fogo e uma ação política dos países árabes. O presidente libanês, Michel Suleiman, declarou total apoio aos palestinos e enviou 20 toneladas de ajuda humanitária para o território palestino. Mas o Líbano vive um período de relativa estabilidade nos últimos sete meses, com bom desempenho no turismo e no setor financeiro, e, nas ruas de Beirute, há um claro temor de que a violência entre Hamas e Israel respingue no país.
Segundo a BBC, vários políticos libaneses opositores ao Hezbollah vêm declarando na imprensa que o Líbano deveria tomar precauções para não ser arrastado para um confronto com Israel. Por enquanto, o Hezbollah realizou diversas manifestações com ataques verbais a Israel. Em vários discursos, o líder do grupo xiita pediu um posicionamento diplomático firme da Liga Árabe, criticando os governos da região por não fazerem o bastante para ajudar os palestinos. Ao mesmo tempo, Nasrallah enviou mensagens para o Hamas, pedindo que o grupo militante palestino disparasse o máximo de foguetes contra Israel.
De acordo com vários governos ocidentais, o Hezbollah teria triplicado sua capacidade militar desde 2006, com mais de 40 mil mísseis em seu arsenal.Mas analistas dizem que o grupo xiita dará apenas apoio moral ao Hamas, pois não teria condições de entrar em conflito armado neste momento.
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