Líder iraniano pede a muçulmanos que 'batam na cara' de Israel
O mais alto clérigo do Irã pediu que os
muçulmanos e seus líderes se ergam e "batam na cara de Israel
com a fúria de suas nações" por causa da ofensiva do Estado
judeu na Faixa de Gaza, que já matou mais de cem palestinos.
O supremo líder aiatolá Ali Khamenei também responsabilizou
o outro arquiinimigo do Irã, os Estados Unidos, pelos "crimes
militares" em Gaza e disse que "as mãos do governo
norte-americano estão manchadas do sangue dos inocentes da
nação palestina."
A oposição a Israel é um dos fundamentos da crença xiita do
Irã, que apóia grupos militantes islâmicos palestinos e
libaneses, contrários a acordos de paz com Israel.
"É com o apoio daquele governo opressor (dos EUA) que os
sionistas (Israel) estão cometendo pecados com impunidade",
disse Khamenei em declaração lida na televisão estatal.
"O povo islâmico deve se erguer e os líderes islâmicos
devem bater na cara do regime de ocupação (de Israel) com a
fúria de suas nações," dizia a declaração.
A nota foi divulgada depois que o presidente palestino,
Mahmoud Abbas, suspendeu as negociações de paz com Israel,
exigindo o fim da ofensiva.
Israel disse que estava agindo em legítima defesa na Faixa
de Gaza -- que é controlada pelo Hamas -- para deter os ataques
com foguetes por militantes. Israel também ameaçou intensificar
sua campanha aérea e terrestre, apesar das alegações de que
estaria usando força excessiva.
Uma criança palestina de 21 meses, dois civis e três
militantes foram mortos nos combates mais recentes na Faixa de
Gaza, aumentando o número de mortos de palestinos em cinco dias
para mais de cem, segundo registros médicos.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou Israel de
usar "força excessiva." Ele exigiu que os ataques aéreos, que
mataram 61 pessoas no sábado, fossem interrompidos. Foi o dia
mais sangrento para os palestinos desde os anos 1980.
O Irã não reconhece Israel e o presidente Mahmoud
Ahmadinejad, que sempre previu o fim iminente do Estado judeu,
chamou Israel de "um animal selvagem," em comentários
condenados no Ocidente.
Os Estados Unidos e o Irã não têm relações diplomáticas
desde depois da revolução do Irã, e agora estão em uma ácida
disputa quanto ao programa nuclear de Teerã. Os Estados Unidos
acreditam que o programa tem fins bélicos, e o Irã nega.
Khamenei, líder spiritual e herdeiro do aiatolá Ruhollah
Khomeini, que liderou a revolução de 1979, disse: "A nação dos
EUA sabe que seus líderes estão sacrificando a honra humana aos
pés dos sionistas desta maneira?"
A nota concluía: "O resultado final deste confronto será a
vitória da justiça sobre a falsidade."
(Reportagem de Hossein Jaseb; Redação de Fredrik Dahl;
Edição de Jon Boyle)
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