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Líder iraniano pede a muçulmanos que 'batam na cara' de Israel

02 de março de 2008 | 18h 40
REUTERS

O mais alto clérigo do Irã pediu que os

muçulmanos e seus líderes se ergam e "batam na cara de Israel

com a fúria de suas nações" por causa da ofensiva do Estado

judeu na Faixa de Gaza, que já matou mais de cem palestinos.

O supremo líder aiatolá Ali Khamenei também responsabilizou

o outro arquiinimigo do Irã, os Estados Unidos, pelos "crimes

militares" em Gaza e disse que "as mãos do governo

norte-americano estão manchadas do sangue dos inocentes da

nação palestina."

A oposição a Israel é um dos fundamentos da crença xiita do

Irã, que apóia grupos militantes islâmicos palestinos e

libaneses, contrários a acordos de paz com Israel.

"É com o apoio daquele governo opressor (dos EUA) que os

sionistas (Israel) estão cometendo pecados com impunidade",

disse Khamenei em declaração lida na televisão estatal.

"O povo islâmico deve se erguer e os líderes islâmicos

devem bater na cara do regime de ocupação (de Israel) com a

fúria de suas nações," dizia a declaração.

A nota foi divulgada depois que o presidente palestino,

Mahmoud Abbas, suspendeu as negociações de paz com Israel,

exigindo o fim da ofensiva.

Israel disse que estava agindo em legítima defesa na Faixa

de Gaza -- que é controlada pelo Hamas -- para deter os ataques

com foguetes por militantes. Israel também ameaçou intensificar

sua campanha aérea e terrestre, apesar das alegações de que

estaria usando força excessiva.

Uma criança palestina de 21 meses, dois civis e três

militantes foram mortos nos combates mais recentes na Faixa de

Gaza, aumentando o número de mortos de palestinos em cinco dias

para mais de cem, segundo registros médicos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou Israel de

usar "força excessiva." Ele exigiu que os ataques aéreos, que

mataram 61 pessoas no sábado, fossem interrompidos. Foi o dia

mais sangrento para os palestinos desde os anos 1980.

O Irã não reconhece Israel e o presidente Mahmoud

Ahmadinejad, que sempre previu o fim iminente do Estado judeu,

chamou Israel de "um animal selvagem," em comentários

condenados no Ocidente.

Os Estados Unidos e o Irã não têm relações diplomáticas

desde depois da revolução do Irã, e agora estão em uma ácida

disputa quanto ao programa nuclear de Teerã. Os Estados Unidos

acreditam que o programa tem fins bélicos, e o Irã nega.

Khamenei, líder spiritual e herdeiro do aiatolá Ruhollah

Khomeini, que liderou a revolução de 1979, disse: "A nação dos

EUA sabe que seus líderes estão sacrificando a honra humana aos

pés dos sionistas desta maneira?"

A nota concluía: "O resultado final deste confronto será a

vitória da justiça sobre a falsidade."

(Reportagem de Hossein Jaseb; Redação de Fredrik Dahl;

Edição de Jon Boyle)



Tópicos: IRA, ISRAEL