Líder supremo pede união de candidatos à Presidência iraniana
Aiatolá Ali Khamenei faz apelo a povo iraniano em apoio a sistema clerical; Conselho dos Guardiães reconta votos
TEERÃ - A televisão estatal iraniana informou nesta terça-feira, 16, que o líder supremo do país pediu unidade nacional durante um encontro com representantes dos quatro candidatos à Presidência. O aiatolá Ali Khamenei pediu ainda que os iranianos apoiem o sistema clerical governante, apesar das demonstrações dos rivais e dos confrontos nas ruas entre partidários do presidente Mahmoud Ahmadinejad e de seu rival reformista Mir Hossein Mousavi, que afirmam que o chefe de Estado fraudou a votação.

"Nas votações, os eleitores têm tendências diferentes, mas eles acreditam no sistema governante e apoiam a República Islâmica", disse Khamenei, maior autoridade do Irã, segundo a televisão. O Conselho de Guardiães, um dos órgãos mais influentes no governo do país e que dispõe do poder de veto, anunciou nesta terça-feira que vai recontar os votos nas áreas em litígio. Milhares de pessoas voltaram às ruas, algumas para apoiar o regime, e autoridades restringiram a atuação da imprensa independente.
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A decisão ocorre após três dias de protestos no país. A rádio estatal informou que sete pessoas morreram em Teerã, na segunda-feira, durante os protestos. Trata-se da primeira confirmação oficial de mortes na onda de protestos, após uma contestada eleição da semana passada, que teve como protagonistas Ahmadinejad e Mir Hossein Mousavi.
No centro de Teerã, milhares de pessoas se reuniram nesta terça-feira, para uma passeata organizada pelo governo. Segundo a mídia estatal, o protesto tem como objetivo exigir punição para os manifestantes responsáveis pelos confrontos do dia anterior. Houve também relatos sobre passeatas dos oposicionistas. Porém o próprio Mousavi disse em seu site que não comparecerá a nenhum evento neste terça, e pediu aos seus partidários que "não caiam na armadilha dos distúrbios de rua" e "exercitem o autocontrole."
VETO À IMPRENSA
Após imagens dos protestos e da violência correrem o mundo, o governo restringiu o trabalho dos jornalistas. Autoridades afirmaram que toda a imprensa estrangeira, inclusive iranianos que atuam para meios internacionais, devem trabalhar apenas em seus escritórios, com entrevistas por telefone e acompanhando os meios oficiais.
As novas regras proíbem que os meios mandem fotos ou vídeos independentes dos protestos nas ruas. Também nesta terça-feira, os correspondentes que estavam no Irã para cobrir a eleição na semana passada começaram a deixar o país. Funcionários iranianos disseram que não estenderão os vistos desses profissionais.
Um porta-voz do Conselho de Guardiães, Abbas Ali Kadkhodaei, disse, segundo a televisão estatal, que a recontagem seria limitada aos locais onde, segundo os candidatos, teria havido irregularidades. Ele não descartou o cancelamento dos resultados, lembrando que o conselho tinha poder para isso, porém tal passo seria algo inédito.
Mousavi ainda não comentou a ação do Conselho, mas na segunda-feira ele se disse pessimista, porque o órgão não é neutro e já inclusive indicou apoio a Ahmadinejad. O Conselho, atualmente controlado pelos conservadores, é formado por seis clérigos islâmicos, designados pelo líder supremo do Irã, além de seis juristas nomeados pelo judiciário e aprovados pelo Parlamento. Os membros são eleitos por seis anos, sendo que metade dos integrantes é substituída a cada três anos.
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