Livni volta a recusar coalizão com Netanyahu em Israel
Kadima diz que há diferenças em questões essenciais; Likud deve se aliar com ultraortodoxos e nacionalistas
A líder do partido israelense Kadima, Tzipi Livni, voltou a recusar a participação em um governo de coalizão com o conservador Benjamin Netanyahu. A atual chanceler israelense afirmou que a segunda reunião dos líderes acabou sem acordos sobre questões essenciais" e que as diferenças entre os dois ainda são muito grandes para tornar viável um governo de união nacional sob o comando de Netanyahu, designado pelo presidente Shimon Peres para formar o novo gabinete e se tornar primeiro-ministro. "Apoiarei um governo que se forme em caso de necessidade, faremos uma oposição responsável. Os apoiaremos para enfrentar as ameaças contra Israel" quando for necessário", afirmou. Num último esforço de Netanyahu para convencer Livni a participar de uma coalizão com o Likud, o chefe da direita ofereceu uma parceria completa e igualitária no avanço do processo de paz com os palestinos e dois ou três altos postos em Ministérios. Porém, fontes dos dois partidos não acreditam que será possível uma união para governar o país. Netanyahu ainda quer mostrar que está tentando todas as opções para conseguir o apoio de Livni com generosidade, ofertas sem precedentes, para que a chanceler seja responsabilizada pelo fracasso na criação de um governo de união nacional. Netanyahu confirmou que Livni se recusou a integrar a coalizão liderada por ele. "Está claro que a unidade requer compromisso", afirmou o líder do Likud após o encontro. "Eu estava preparado para percorrer um grande percurso em busca de união". Ele disse ainda que se comprometeu, durante o encontro, em avançar com as conversar de paz com os palestinos, em instituir uma reforma no governo e ainda tentar resolver o monopólio dos rabinos ortodoxos sobre o casamento no país, prometendo aprovar uma lei que crie a possibilidade de casamentos civis. Enquanto isso, segundo afirma o jornal israelense Haaretz, negociadores do partido de direita Likud continuam se reunindo com membros de uma possível aliança de partidos ultraortodoxos e receberam uma lista de demandas de cada um. Agora que o encontro com Livni acabou novamente sem resultados, Netanyahu deve acelerar a negociação com os ultrarreligiosos e ultradireitistas, apresentando seu novo gabinete no prazo de três semanas. Partidários de Livni afirmaram que a líder do Kadima está cada vez mais convencida de que é melhor seguir para a oposição do que desistir de promessas que fez aos eleitores. Ela exigia que Netanyahu apoiasse uma solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos, nas linhas do acordo mediado pelos EUA na Conferência de Annapolis. O líder do Likud deve manter sua recusa, sugerindo que Livni e ele devem criar equipes para criar esboços de linhas políticas para o impasse. "A visão de dois Estados (para dois povos) não é um mero slogan. União nacional não é meramente sentar-se no governo, mas um caminho em conjunto", disse Livni ao sair da reunião, com a qual aparentemente colocou fim aos contatos políticos entre os dois.
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