Lobo instalará Comissão da Verdade para investigar golpe
Documento base para formar Comissão deve ficar pronto em oito dias; grupo não terá hondurenhos
O presidente de Honduras, Porfirio Lobo, criou nesta quinta-feira, 4, um grupo de trabalho coordenado pelo ex-vice-presidente da Guatemala Eduardo Stein, que elaborará o documento base para formar a Comissão da Verdade. O grupo tentará esclarecer o que ocorreu ao redor da destituição de Manuel Zelaya.
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O outro membro do grupo é o ex-reitor da estatal Universidade Nacional Autônoma de Honduras, Jorge Omar Casco, informou o chanceler hondurenho, Mario Canahuati, depois da reunião em que Lobo integrou a equipe de trabalho.
Canahuati explicou durante uma coletiva de imprensa na Casa Presidencial que se mantiveram "práticas preliminares" para fixar "os términos de referência" e a previsão é de que em oito dias o grupo de trabalho prepare o documento.
Segundo Canahuati e Stein, a proposta incluirá a agenda, objetivos, alcances e limites da Comissão, assim como o perfil de seus membros, e o presidente Lobo tomará as decisões finais sobre sua estrutura e integrantes.
Os dois colegas insistiram que o acordado nesta quinta supõe a "etapa preparatória" para criar a Comissão, estabelecida no Acordo Tegucigalpa-San José firmado no último 30 de outubro por delegações de Zelaya e do então presidente de facto, Roberto Micheletti, para superar a crise causada pelo golpe de Estado de 28 de junho.
O chanceler hondurenho assegurou que "o sentido de urgência" que o governo deu à Comissão da Verdade não significa que será feita "uma coisa apressada", e que nesta quinta só "fica formalmente iniciado o processo para instalá-la".
Stein comentou que a comissão "tem que ser autônoma, absolutamente independente", que "não se converta em uma instância geradora de conflitos" e não seja "persecutória" nem "inquisidora no sentido penal do termo". Ao contrário, acrescentou, a Comissão terá que trabalhar "com uma perspectiva construtiva" que contribua com a reconciliação entre os hondurenhos.
Sobre os integrantes da comissão, Stein disse que "é difícil pensar em integrantes hondurenhos porque não há hondurenho que não tenha tomado posições na crise", e, além do mais, "ainda há muita polarização" no país.
Segundo o guatemalteco, a comissão terá apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e o período de trabalho do grupo duraria de quatro a seis meses, apurando fatos registrados durante 18 meses a dois anos.
Stein afirmou que, nesta etapa preliminar, não estão previstas entrevistas com Zelaya nem Micheletti, nem "com nenhum dos atores políticos envolvidos na crise".
Na reunião com Lobo também participou a missão da OEA que se encontra desde esta quinta em Honduras para apoiar os trabalhos de formação da Comissão, e que é integrada pelo secretário de Assuntos Políticos do organismo, Victor Rico, e Claudia Barrientos.
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