Lugo repensa apoio à Venezuela no Mercosul, diz jornal
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Héctor Lacognata, afirmou ontem que a recente tensão entre Venezuela e Colômbia pode mudar a posição do Executivo local de apoiar o ingresso dos venezuelanos no Mercosul. "É preocupante, creio que há uma escalada do que chamo de esgrima verbal, que vem ocorrendo há um bom tempo e obviamente não leva a melhor das situações", afirmou Lacognata, segundo o jornal local "La Nación".
Na entrevista coletiva, o ministro lembrou que o ingresso da Venezuela está agora nas mãos do Congresso. No Brasil, também é preciso ainda que o Legislativo aprove a entrada do país no bloco. Argentina e Uruguai já aprovaram o ingresso do país presidido por Hugo Chávez, mas todos os membros do Mercosul precisam fazer o mesmo para que a entrada passe a valer.
"Avaliaremos essa situação (de tensão entre Venezuela e Colômbia), pois este é um tema que está em avaliação permanente", respondeu Lacognata, quando questionado se a recente tensão entre Caracas e Bogotá pode prejudicar o apoio do Executivo paraguaio. Apesar disso, o ministro enfatizou que não acredita na possibilidade de uma guerra na região.
No domingo, o presidente venezuelano afirmou que os militares de seu país devem se preparar "para uma guerra". Chávez é o principal crítico do acordo entre Bogotá e Washington, que amplia a presença de tropas norte-americanas em sete bases militares do país latino. O governo colombiano afirma que esses soldados apenas auxiliarão no combate a guerrilheiros, como os membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Já Chávez denuncia o risco de ações em outros países.
Pesquisa
A empresa de pesquisas Datanálisis, uma das maiores da Venezuela, divulgou ontem pesquisa nacional mostrando que 79,9% dos venezuelanos rechaçam a possibilidade de uma guerra com a Colômbia. No mesmo dia, o próprio Chávez minimizou sua declaração de domingo, argumentando que se baseara em um ditado segundo o qual "se queres a paz, prepara-te para a guerra".
O presidente Venezuelano afirmou que apenas quis ressaltar a importância de o país se defender "do que significam sete bases militares aqui mesmo na Colômbia". Chávez disse que considerar seu discurso uma convocação para a guerra seria uma prova de "cinismo".
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