Lula diz que Conselho de Segurança 'perdeu relevância'
Em discurso na abertura da 2ª Cúpula América do Sul-África, presidente pede reforma no conselho da ONU.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado, em seu discurso na abertura da 2ª Cúpula América do Sul-África (ASA), que o Conselho de Segurança das Nações Unidas "perdeu relevância".
"Neste debate sobre a nova governança global, uma coisa é certa: o Conselho de Segurança das Nações Unidas perdeu relevância", afirmou o presidente no encontro realizado em Isla Margarita, na Venezuela.
"Devemos trabalhar juntos pela sua reforma, sob pena de perder a oportunidade de garantir nosso direito a uma voz nas grandes questões da agenda internacional", disse.
As declarações de Lula foram feitas um dia depois de o Conselho de Segurança ter condenado os "atos de intimidação" do governo interino de Honduras contra a embaixada brasileira na capital, Tegucigalpa, onde o presidente deposto, Manuel Zelaya, está abrigado desde segunda-feira.
A reunião do Conselho de Segurança na sexta-feira foi realizada a pedido do Brasil e teve a presença do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.
Ao relatar a situação da representação brasileira em Honduras diante do conselho, Amorim disse ter "indícios concretos" de que a embaixada poderia ser invadida por militares hondurenhos.
Antes da declaração condenando o cerco à embaixada, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, que preside o Conselho, teria criticado o tom do discurso do chanceler brasileiro.
Neste sábado, o Conselho de Segurança também foi criticado por outros líderes presentes na cúpula realizada na Venezuela. Minutos antes da intervenção do presidente brasileiro, o líder líbio, Muamar Khadafi, disse que a situação do conselho é "insustentável".
"Eles têm direito a veto, e nós não temos direito algum", afirmou o líder líbio.
Na declaração final da Cúpula ASA, que termina neste domingo, os países deverão exigir reformas à Organização das Nações Unidas, nas quais estará incluído o Conselho de Segurança.
Honduras
A crise política em Honduras é assunto permanente nos corredores entre as delegações que participam da Cúpula.
Em seu discurso, Lula reiterou a condenação à deposição de Manuel Zelaya. "Lutamos muito para varrer para a lata do lixo da história as ditaduras militares. Não podemos permitir retrocessos deste tipo no nosso continente", afirmou.
Desde sexta-feira o Brasil vem trabalhando em um documento que deverá ser aprovado pelos demais chefes de Estado e representantes de governo que participam da Cúpula.
O documento deverá reiterar a condenação às agressões sofridas pela embaixada brasileira e pedir a restituição de Zelaya ao poder como saída para solucionar a crise em Honduras.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que é o anfitrião da cúpula, disse que os líderes rejeitam as agressões contra a embaixada brasileira.
"Lançaram gases tóxicos contra a embaixada, viram até onde chega a loucura desses golpistas?" , disse Chávez a jornalistas brasileiros.
Na sexta-feira, o presidente deposto de Honduras havia afirmado que a embaixada brasileira foi alvo de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelas forças de segurança do país. Um porta-voz da polícia, no entanto, negou o ataque.
Para Chávez, que disse "saber de tudo" em relação ao retorno Zelaya a Honduras, a solução da crise dependerá das pressões exercidas pela comunidade internacional.
"É preciso presssionar e pressionar. As Nações Unidas deveriam estabelecer sanções contra este governo (interino)", disse.
Manuel Zelaya foi deposto e expulso de Honduras em 28 de junho. Na última segunda-feira, ele retornou ao país sem a autorização do governo interino, que cobra a sua prisão, e se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
O governo interino que assumiu o poder em Honduras, comandado por Roberto Micheletti, não é reconhecido pela comunidade internacional.
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