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Lula diz ter 99% de chances de convencer Irã sobre programa nuclear

Presidente está na Rússia para discutir assuntos econômicos e questão atômica iraniana

14 de maio de 2010 | 9h 02
estadão.com.br

 

MOSCOU - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimou em 99% suas chances de êxito para convencer os líderes do Irã a aceitar os acordos propostos pela comunidade internacional sobre o programa nuclear do país persa. A declaração do brasileiro foi feita durante sua visita à Rússia, onde encontrou o presidente Dmitri Medvedev para tratar da questão atômica iraniana e de assuntos econômicos.

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Repetindo o discurso de um diplomata americano, Medvedev disse que a visita de Lula a Teerã talvez seja a "última oportunidade" de o Irã evitar as sanções pretendidas pelas potências ocidentais. "Espero que a missão do presidente do Brasil termine com êxito. É talvez a última possibilidade antes da adoção de medidas que todos os membros do Conselho de Segurança conhecem", disse o líder russo.

Medvedev desejou sorte e êxito a Lula ao tentar convencer o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a se abrir para o diálogo. "Desejo sinceramente a meu colega e amigo, o presidente brasileiro, êxito em suas negociações em Teerã e peço ao presidente Ahmadinejad que escute os argumentos de Lula", disse o líder russo.

O russo ainda calculou as chances de Lula deixar o Irã com um acordo, apesar da resistência de Ahmadinejad. "Como Lula é otimista, serei também. Acho que ele tem 30% de chances de êxito", arriscou Medvedev. Lula, porém, foi menos modesto e estimou suas chances, em uma escala de 1 a 10, em "9.9". "vou ao Irã com a convicção de que chegaremos a um acordo. Se não conseguirmos, voltarei feliz, porque pelo menos não fui negligente", comentou o brasileiro.

Lula reiterou a postura brasileira da busca pelo diálogo. "Farei meu melhor para convencer meus parceiros da necessidade de diálogo", disse o presidente. O Brasil, assim como a Turquia, é um dos membros não permanentes do Conselho de Segurança, mas rejeita a imposição de sanções contra o Irã. O País já chegou a se oferecer para mediar o acordo de troca de urânio entre a República Islâmica e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Medvedev revelou que, em sua conversa por telefone com o presidente dos EUA, Barack Obama, ambos instruíram seus negociadores a acelerar o processo da imposição das resoluções, mas ao mesmo tempo pediu para que o americano confie nos esforços de Lula. "Disse a ele que dê uma oportunidade ao presidente brasileiro utilizar todos os argumentos da comunidade internacional com a finalidade que o Irã coopere", argumentou Medvedev.

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O chefe do Kremlin completou dizendo que, caso a visita de Lula não dê resultados, a comunidade baixará sanções sobre o Irã. Nesse sentido, Medvedev destacou que os seis países que negociam com o país persa - EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha - mantêm "posturas suficientemente consolidadas" e que a imposição de resoluções é uma delas.

Lula está em Moscou e deve visitar o Irã entre os próximos dias 15 e 17. Em Teerã, o presidente brasileiro deve se encontrar com o mandatário iraniano, Mahmoud Ahmadinejad; com o supremo líder do país, o aiatolá Ali Khamenei; e com o presidente do Parlamento, Ari Larijani. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, também participará de algumas reuniões.

Conselho de Segurança

Entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, EUA, França e Reino Unido pressionam pela aplicação das resoluções contra os iranianos. A Rússia já avisou que só será a favor das sanções caso elas não afetem a economia do Irã, país com o qual mantém comércio e cooperação bilateral, inclusive na área nuclear. Já a China opõe-se às medidas e pede mais diálogo.

Os países que apoiam as sanções alegam que o Irã não coopera transparentemente com as investigações da AIEA e que, com isso, busca a produção de armas atômicas. Teerã, porém, nega e diz que enriquece urânio apenas para produzir energia elétrica para seu reator de pesquisas.

Com informações das agências Efe e Reuters