Manifestantes pró e contra Ahmadinejad saem às ruas em Teerã
Governistas e opositores tomam o centro da capital; governo proíbe cobertura da imprensa internacional
Partidários do presidente Mahmoud Ahmadinejad e de seu rival político Mir Hussein Mousavi foram às ruas nesta terça-feira, 16, em diferentes pontos de Teerã no quarto dia de protestos no país. Enquanto os governistas pediam para que o candidato derrotado nas eleições aceitasse o resultado, os opositores voltaram a exigir uma nova votação por conta das suspeitas de fraude.
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Os manifestantes da oposição e partidários de Ahmadinejad inicialmente marcaram um ato na mesma praça, mas os protestos aconteceram em regiões diferentes. Apesar dos pedidos do reformista derrotado para que seus simpatizantes não participasse da manifestação em meio a receio de mais violência, milhares foram às ruas, mas em um local diferente dos governistas, de acordo com imagens dos protestos. A localização não pôde ser confirmada por conta das restrições impostas à imprensa estrangeira.
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Por conta da censura imposta pelas autoridades iranianas aos serviços da imprensa estrangeira, é difícil confirmar as dimensões dos protestos. Todos os jornalistas a serviço de órgãos estrangeiros de mídia estão proibidos de reportar ao vivo das ruas iranianas. A decisão abrange todos os jornalistas, inclusive os iranianos que trabalham para veículos estrangeiros de informações. Está proibida a divulgação de imagens e relatos de testemunhas dos protestos e episódios de violência que se seguiram às eleições da última sexta-feira na república islâmica. De acordo com a determinação, os jornalistas de veículos com sede no exterior podem trabalhar somente a partir de sucursais, limitando-se a realizar entrevistas por telefones e a monitorar fontes como a televisão estatal.
Várias agências de notícias estão se limitando a distribuir fotos tiradas de imagens da TV oficial iraniana da manifestação pró-Ahmadinejad. Segundo o jornal britânico The Guardian, pelo menos dez mil pessoas participaram das manifestações da oposição. Um estudante europeu que narra o protesto para o jornal El País afirmou que há políciais disfarçados entre os manifestantes, provocando temores de novos episódios de violência; muitos opositores fingem falar um idioma estrangeiro para evitar agressões.
Segundo os jornalistas iranianos que acompanharam os eventos opositores, várias pessoas desfilaram pacificamente pela avenida Valy-e Asr, principal via da cidade, em direção à praça de Vanak, no norte da capital. As testemunhas afirmam que, como na segunda-feira, as filas se estendiam por vários quilômetros. Quase em silêncio, levantavam os braços e faziam o sinal da vitória, enquanto carregavam cartazes brancos com o nome do candidato reformista que denunciou fraude nas eleições da última sexta-feira. Quase ao mesmo tempo, milhares de seguidores do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusado de fraude, protestaram no sul da cidade.
Pelo menos um confronto ocorreu na capital iraniana nesta terça-feira, com homens armados, em motocicletas similares às usadas pela milícia Basij, leal ao governo, disparando contra partidários pacíficos de Mousavi. Os disparos deixaram pelo menos um ferido em estado grave. A rádio estatal informou que sete pessoas morreram em Teerã, na segunda-feira, durante os protestos. Trata-se da primeira confirmação oficial de mortes na onda de protestos.
Dezenas de ativistas da oposição foram presos desde o início dos protestos, iniciados quando Ahmadinejad foi anunciado como vitorioso nas eleições presidenciais de sexta-feira. Entre eles está Mohammad Ali Batahi, um colaborador próximo do ex-presidente Mohammad Khatami. Mais cedo, o poderoso Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona a eleição presidencial, anunciou que está disposto a recontar os votos do pleito contestados pela oposição. Mas um porta-voz do conselho disse à TV estatal iraniana que a eleição não será anulada, como exigem os candidatos moderados. A oposição alega que milhões de cédulas eleitorais desapareceram.
Maior protesto em 30 anos
O protesto de segunda-feira envolveu centenas de milhares de pessoas e foi um dos maiores desde a Revolução Islâmica no Irã, há 30 anos. Segundo a rádio iraniana, no fim do ato público - considerado "ilegal" pelas autoridades - quando as pessoas se dirigiam "pacificamente" para casa, teriam ocorridos os incidentes violentos que resultaram na morte de sete pessoas. "Vários vândalos queriam atacar um posto militar e depredar propriedade pública nas redondezas da Praça Azadi", disse a emissora, referindo-se ao local do protesto. Imagens do incidente mostraram homens armados, em trajes civis mas usando capacetes, apontando armas de fogo contra a multidão do teto do posto militar.
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