Manifestantes pró-Zelaya voltam às ruas de Honduras
Partidários de líder deposto tentam pressionar governo interino; Micheletti impõe novo toque de recolher
Partidários do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, reuniram-se nos principais pontos da capital nesta quinta-feira, 16, planejando pressionar o governo autoproclamado antes das negociações entre os dois lados no sábado, sob intermediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias. Em resposta, o presidente designado Roberto Micheletti ordenou o reforço da segurança em todo o país e a retomada do toque de recolher, que havia sido suspenso no fim de semana, e mandou policiais para os lugares em que estavam previstas manifestações.
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Juan Barahona, líder da Frente Nacional da Resistência contra o Golpe, disse que seus partidários tentariam bloquear as principais vias de acesso para a capital, Tegucigalpa, e outra importante cidade do país, San Pedro Sula. "Faremos duas grandes manifestações, assumindo o controle das rodovias para prejudicar os empresários que apoiam o golpe".
O novo Governo de Honduras decretou um novo toque de recolher entre as 0h e 5h locais de quinta-feira (entre 3h e 8h de Brasília), logo antes dos protestos. A medida foi anunciada em mensagem divulgada por rádio e televisão e proíbe o trânsito de pessoas e veículos à noite, repetindo o que ocorreu entre 28 de junho, quando Zelaya foi derrubado, até o último dia 12. Segundo a Presidência, a decisão foi adotada "em vista das contínuas e abertas ameaças por parte de grupos que buscam provocar distúrbios e desordem".
A polícia hondurenha pediu que os partidários de Zelaya façam as manifestações nesta quinta e sexta-feira de forma pacífica, "para evitar eventuais incidentes violentos". O porta-voz Héctor Iván Mejía disse ainda que as forças de ordem estão dispostas a acompanhar os protestos. Em 5 de julho, uma pessoa morreu e várias foram feridas quando militares dispararam contra manifestantes que aguardavam pelo retorno de Zelaya em um avião venezuelano no aeroporto de Tegucigalpa, que não obteve permissão para aterrissar.
Na quarta-feira, Micheletti disse que está disposto a renunciar, se isso restabelecer a paz em Honduras, mas com a condição de que Zelaya não regresse ao país. "Se em algum momento, a decisão para que haja paz e tranquilidade no país, sem a volta, que fique registrado, do ex-presidente Zelaya, estou disposto a deixar o cargo", disse aos jornalistas. "Membros da nossa comissão que foram aos Estados Unidos fizeram uma proposta", disse.
A segunda rodada de negociações entre representantes de Micheletti e Zelaya sobre o impasse político em Honduras foi marcada para o sábado na Costa Rica. O diálogo tem a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, prêmio Nobel da Paz.
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