Marcha anti-Chávez acaba em violência em Caracas
Polícia usa gás lacrimogêneo e bala de borracha para dispersar protesto de estudantes contra reforma da Carta
Terminou em violência nesta quinta-feira, 1, uma passeata que reuniu dezenas de milhares de estudantes venezuelanos para protestar contra a reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez.
Os manifestantes, entre os quais também havia professores e membros de partidos de oposição, entraram em choque com a polícia na frente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Caracas. Eles foram dispersados com gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha.
"Não há justiça na Venezuela", disse Henry Vivas, aluno da Universidade Central que perdeu dois dentes ao ser golpeado por policiais.
O protesto tinha como objetivo pedir o adiamento por pelo menos dois meses do referendo sobre a reforma, previsto para 2 de dezembro. Além disso, os estudantes querem que a reforma seja votada por temas. "Não nos tirarão o direito de protestar", gritavam.
A proposta de reforma constitucional apresentada pelo presidente em agosto tem como objetivo consolidar o "socialismo do século 21" no país. Ela inclui medidas polêmicas como o fim da autonomia do Banco Central e a reeleição ilimitada - que permitirá a Chávez perpetuar-se no poder.
Também estabelece a redução da jornada de trabalho de 8 para 6 horas - mudança popular segundo as pesquisas.
Originalmente, a proposta incluía alterações em 33 dos 350 artigos da Carta de 1999, mas a Assembléia Nacional venezuelana, que está tramitando a reforma, acrescentou mudanças em outros 36 artigos. Entre elas estão a supressão do direito à informação em caso de que seja declarado estado de exceção e medidas que reduzem a autonomia universitária.
Chávez lançará na sexta-feira, 2, sua campanha pelo "sim" no referendo em um comício em Barinas, onde nasceu. De acordo com o jornal El Nacional, o presidente venezuelano também deve se reunir no mesmo dia com Rodrigo Granda, o chanceler das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Chávez está mediando um acordo entre a guerrilha e o governo colombiano
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