Marco Aurélio Garcia nega fracasso nas negociações do Brasil com Irã
Mesmo com resolução de sanções contra Teerã aprovada, Brasil ainda acredita em acordo nuclear
O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, assegurou nesta segunda-feira, 24, que "não houve fracasso" nas negociações com o Irã intermediadas pelo Brasil. Para Marco Aurélio, esta é a tese dos "fracassomaníacos".
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Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comentou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi o primeiro que pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se envolver nas negociações com o Irã e Marco Aurélio emendou dizendo que, "de maneira alguma", o presidente Obama armou uma armadilha para o colega brasileiro.
"A Turquia e o Brasil conseguiram fazer com que o governo do Irã, depois de uma longa e complexa negociação, aceitasse aquelas condições. As condições que a Agência Internacional de Energia Atômica havia colocado em outubro do ano passado e que foram reiteradas na carta do presidente Obama", prosseguiu o assessor de Lula, que deu as declarações no Itamaraty, depois de cerimônia de lançamento da TV Brasil internacional.
Para Marco Aurélio, se o acordo fracassar, o que ele "não acredita", "a responsabilidade será daqueles que não aceitaram o acordo". Ao comentar a carta do presidente norte-americano encaminhada ao presidente Lula, Marco Aurélio disse que ela está "dando seguimento ao diálogo que havia iniciado em Washington, durante a reunião sobre questões nucleares, e nós constatamos que as propostas que estavam contidas ali retomavam um pouco propostas de outubro passado, coincidiam com os termos do acordo de Teerã, que o Irã assinou com a Turquia e com o Brasil".
Na opinião de Marco Aurélio, o acordo com o Irã não prejudicou a relação com os Estados Unidos. Ele salientou que este tipo de coisa só acontece quando o país "fica de cócoras", não se respeita e se transforma em "moça de recado", que não é o caso do Brasil. "As relações entre Brasil e EUA nos últimos anos são muito boas. Não acredito que esse episódio venha turvar as relações. Acho que os países são respeitados quando eles expressam seus pontos de vista. País dócil, países que ficam de cócoras, governos que ficam de cócoras, não são respeitados. Se transformam em moças de recado. O Brasil não é moça de recado. O Brasil respeita os Estados Unidos, sabe o papel que os Estados Unidos têm no mundo, mas o Brasil tem suas opiniões. E essa foi uma ocasião de expressar opinião", avisou.
Marco Aurélio está apostando na assinatura do acordo e acredita que isto ajudará a evitar as sanções ao Irã. "Achamos que o Conselho de Segurança é composto de grandes países, de pessoas que têm racionalidade e saberão entender que está aberta uma possibilidade para começar uma solução pacífica de um tema que tem angustiado muito a humanidade. Eu tenho claro isso, que o tema Irã se transformou em um grande problema mundial. Se neste momento temos a possibilidade de resolvê-lo por canal diplomático, seria ótimo até porque o canal das sanções é visto que não resolve. A prova disso é que há quase 50 anos os Estados Unidos impôs sanções a Cuba e nenhum dos objetivos perseguidos pelos EUA em relação a Cuba foi atingido", disse.
Acordo
O Irã entregou, nesta segunda-feira, documento à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sob o qual se compromete a entregar parte de seu urânio enriquecido.
A República Islâmica classificou o acordo como um passo importante no caminho da solução de um impasse com potências mundiais que agora buscam a imposição de sanções ao país.
"Ou seja, então, se isso acontecer, é o cumprimento da primeira parte, sabe, do nosso acordo, e isso está tudo escrito lá. Obviamente que esse plano é a abertura para começar as negociações", explicou Lula.
O país persa já alertou, no entanto, que abandonará o acordo firmado na última semana se o Conselho de Segurança impuser nova rodada de sanções.
Após a assinatura do acordo entre Irã, Brasil e Turquia, os EUA anunciaram que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU concordaram com um texto que propõe mais sanções à República Islâmica por conta de seu programa nuclear.
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Com informações da Reuters
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