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Ministro da Economia do Equador renuncia após intervenção em TVs

08 de julho de 2008 | 12h 54
REUTERS

O ministro da Economia do Equador, Fausto

Ortiz, renunciou na terça-feira depois do governo ter anunciado

uma intervenção em duas estações de TV, devido a dívidas destes

canais com o Estado.

"Sim, ele renunciou. Estamos tirando suas coisas do

gabinete", disse uma porta-voz do Ministério à Reuters.

Segundo a mídia local, Ortiz não concordou com a

intervenção dos canais, ocorrida na terça-feira. A programação

dos dois, por vezes, criticava o governo.

O governo mandou a polícia às sedes dos canais, tirou a

programação do ar e designou um novo chefe de reportagem para

pelo menos um dos canais, disseram autoridades e testemunhas.

Wilma Salgado, ex-gerente da Agência de Garantia de Depósitos

(AGD), órgão responsável pela intervenção nas estações de TV,

foi nomeada a nova ministra da Economia pelo presidente Rafael

Correa.

A AGD quer saber se as estações de TV Gamavisión e TC

Televisión são de propriedade do grupo Isaías, responsável pela

quebra de um banco há dez anos.

A intervenção foi condenada pelos equatorianos, que

desconfiam de que o presidente queira limitar a liberdade de

expressão. Com isso, os títulos equatorianos tiveram a pior

queda desde meados de junho.

Desde que assumiu o poder, em janeiro do ano passado,

Correa prometeu renegociar a dívida externa e dar ao Estado

maior poder sobre a economia.

A AGD também interveio nas instalações de 193 outras

empresas, entre elas um canal de TV a cabo, além de firmas

agrícolas e petrolíferas, para saber se também pertencem ao

grupo Isaías. O grupo Isaías era um dos mais importantes do

país até a crise bancária de 1998, quando faliu o Filabanco,

uma das unidades do grupo.

A AGD exigia que as empresas fossem vendidas para garantir

o pagamento das dívidas do banco.

O presidente da Gamavisón, Alvaro Dassum, disse a

jornalistas que a sua estação não pertence ao grupo Isaías.

"O governo quer calar os meios de comunicação que decidiram

dizer a verdade", afirmou Dassum, referindo-se às frequentes

críticas que o presidente equatoriano faz aos meios de

comunicação que criticam seu governo.

Os dois canais não tinham conteúdo opositor forte -- o

forte da programação eram as novelas.

A Superintendência de Telecomunicações também fechou a

rádio Sucre, que não cumpriu requisitos para a renovação da

licença. Correa criticou os diretores da rádio por convocarem

uma marcha contra a violência em Guayaquil, cidade onde

funcionava.

(Por Alexandra Valencia e Alonso Soto)



Tópicos: EQUADOR, MINISTRO, RENUNCIA