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Mir Hussein Mousavi, o reformista que desafia Ahmadinejad

Pintor e arquiteto por formação, candidato independente promete mudar a imagem extremista do Irã

08 de junho de 2009 | 19h 48
Reuters e Efe

Mir Hussein Mousavi, candidato independente à Presidência do Irã, é um bastião da velha guarda que, entretanto, promete recuperar a esperança dos reformistas. Principal rival do atual chefe de Estado conservador Mahmoud Ahmadinejad, Mousavi nasceu em 1941 em Jameneh, cidade localizada na província iraniana do Azerbaijão oriental. Revolucionário de primeira hora e islâmico convicto, já foi primeiro-ministro do Irã e deve tentar melhorar as relações com o Ocidente, embora rejeite a principal demanda dos inimigos de Teerã: suspender o programa nuclear.

Mir Hussein Mousavi: promessa para Ocidente - Reuters
Reuters
Mir Hussein Mousavi: promessa para Ocidente

Entre seus compatriotas, Mousavi, de 67 anos, possui fama de homem honesto. Quando premiê, sua gestão econômica - que foi prejudicada pela Guerra com o Iraque (1980-1988) e por sanções impostas pela comunidade internacional - ainda hoje é elogiada pela maioria dos iranianos.

Em 1989, pouco depois da morte do fundador da República Islâmica e líder supremo, aiatolá Ruhola Jomeini, uma reforma da Constituição impulsionada por seu sucessor, Ali Khamenei, anulou o cargo de primeiro-ministro. Pintor e arquiteto por formação, Mousavi passou então para a segunda linha da política nacional, primeiro como assessor do líder supremo e depois como membro do Conselho de Discernimento, até que decidiu, em março, candidatar-se à Presidência.

Desde então, suas chances - beneficiadas pela fama de homem religioso e bom gestor - se multiplicaram e o converteram na principal ameaça a Ahmadinejad. O ex-premiê se define como "um reformista que preserva e vela por todos os princípios da Revolução" e defende a liberdade de expressão, o que lhe deu apoio de jovens que desejam abertura.

Nas questões econômicas, Mousavi acredita que Ahmadinejad não soube administrar os grandes lucros do petróleo quando o preço do barril disparou, e que, dessa forma, colocou o país rumo à falência. Na política externa, critica aquilo que denomina "aventurismo" e "extremismo" do atual presidente, que em sua opinião cria um problemático isolamento internacional.

O ex-premiê propõe retornar o diálogo com o Ocidente sobre a questão nuclear, mas insiste que o Irã jamais renunciará ao direito de desenvolver a tecnologia para geração de eletricidade. Ele prometeu mudar a imagem "extremista" de Teerã, implantada sob o governo de Ahmadinejad, combater a inflação e criar empregos se eleito presidente do quinto maior produtor mundial de petróleo.

Mousavi, porém, também tenta ganhar apoio da base conservadora do chefe de Estado, falando sobre a necessidade de "justiça e liberdade". Ahmadinejad venceu as eleições de 2005 prometendo reviver os valores da Revolução Islâmica de 1979. "Mousavi é mais conhecido por sua visão econômica de esquerda, de estatização. Entretanto, dessa vez ele parece estar endossando uma agenda mais liberal", disse Karabekir Akkoyunlu, consultor político da AKE Ltd, de Londres.

Quebrando um tabu da cultura iraniana, a mulher do ex-premiê, Zahra Rahnavard, está participando ativamente de sua campanha. O casal tem aparecido junto em comícios, algo raro entre a política do Estado conservador, de maioria xiita. Artista proeminente, Rahnavard tenta ganhar o voto feminino para o marido.

Em relação aos Estados Unidos, apesar do candidato ter se mostrado mais cordial, reitera que o presidente Barack Obama deve demostrar em ações as palavras de seus discursos. Sua candidatura conquistou mais apoio nacional e internacional após ser endossada pelo ex-presidente reformista Mohammad Khatami.