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Morales conclama a defesa contra 'golpe civil' na Bolívia

05 de setembro de 2008 | 19h 52
REUTERS

O presidente da Bolívia, Evo Morales,

conclamou na sexta-feira a população a defender a democracia

contra um "golpe de Estado civil" que estaria sendo realizado

pela oposição de direita.

Em suas primeiras declarações após uma semana de viagem a

Líbia e Irã, Morales descartou medidas extraordinárias contra

os protestos da oposição e disse confiar "na consciência do

povo" para seguir adiante com suas reformas socialistas.

"Como não lhes obedecem as Forças Armadas para um golpe

militar, buscam um golpe civil contra o Estado", disse Morales

sobre os grupos conservadores, especialmente de Santa Cruz

(leste), que impedem a aprovação de uma nova Constituição e

exigem autonomia para suas regiões.

"No fundo a direita tenta sobreviver com violência, isso é

o que está acontecendo, e por isso [quero] alertar o povo

boliviano para defender a democracia", disse ele, criticando a

ocupação de prédios públicos e os apelos golpistas feitos pela

oposição aos quartéis.

Morales, cujo mandato foi amplamente ratificado num recente

referendo, disse que os protestos -- como os bloqueios

rodoviários mantidos há quase duas semanas na região do Chaco

-- são uma "aberta conspiração [contra] o Estado". "Se não

estão de acordo com a nova Constituição, que o expressem nas

urnas, e não com violência."

A nova Carta foi aprovada em dezembro por uma Assembléia

Constituinte boicotada pela direita, e ainda precisa ser

submetida a referendo.

Na semana passada, antes de viajar, o presidente sancionou

decreto marcando a consulta para 7 de dezembro, mas a Corte

Nacional Eleitoral exigiu que a data seja submetida ao

Congresso.

De acordo com Morales, "o que está em debate profundo são

dois modelos econômicos, entre os neoliberais, que com essa

classe e violência querem retornar ao governo, e o povo que

apóia este processo de mudança".

A nova Constituição, uma promessa de Morales ao ser eleito

em 2006, dá mais poderes à maioria indígena e amplia a

participação do Estado na economia.

Morales, primeiro indígena a governar a Bolívia, acaba de

completar metade do seu mandato.

(Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)



Tópicos: BOLIVIA, MORALES, GOLPE