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Mortos em massacre nas Filipinas chegam a 57

Mais 11 corpos foram encontrados; grupo de jornalistas e políticos foi sequestrado e assassinado na segunda

25 de novembro de 2009 | 7h 47
estadao.com.br

A polícia encontrou nesta quarta-feira, 25, outros 11 cadáveres de vítimas do massacre cometido no sul das Filipinas, elevando a 57 o número de pessoas assassinadas por membros de um dos clãs familiares que dominam a região. A polícia das Filipinas apontou um aliado político da presidente Gloria Arroyo como principal suspeito do massacre do grupo de jornalistas e políticos ocorrido na última segunda-feira no sul do país.

Forças de segurança filipinas encontraram mais seis corpos - Erik de Castro/ Reuters
Erik de Castro/ Reuters
Forças de segurança filipinas encontraram mais seis corpos

O assassinato em massa, segundo o governo, teve motivação política. Um bando armado sequestrou e matou um grupo de partidários e parentes de Ismael Mangudadatu, candidato às eleições provinciais de maio, que viajavam para a capital para formalizar a candidatura do político, que não estava no comboio. Ele acusou o chefe de um clã rival - os Ampatuans - pelo massacre.

"De acordo com os relatos iniciais, aqueles que foram sequestrados e assassinados em Saniag foram inicialmente barrados por um grupo liderado pelo prefeito de Datu Unsay", disse o porta-voz da polícia nacional, superintendente chefe Leonardo Espina. O prefeito de Datu Unsay é Andal Ampatuan Jr., membro da coalizão governista Lakas Kampi CMD e filho do poderoso político regional que garantiu apoio local à presidente nas eleições anteriores.

O superintendente Josefino Cataluna afirmou que os corpos foram encontrados na segunda vala comum descoberta desde segunda-feira, próximo do local onde, na terça-feira, foram encontrados os corpos de outras 24 pessoas. No mesmo dia do massacre, na segunda-feira passada, foram encontrados 21 cadáveres decapitados ou mutilados, incluindo os de mulheres que apresentavam sinais de estupro.

Pelo menos 18 jornalistas locais acompanhavam ao grupo formado por mais de 50 pessoas que foram sequestradas enquanto acompanhavam a candidatura de Magundadatu para governador em um centro provincial da Comissão Eleitoral Entre os mortos figuram vários advogados especializados em direitos humanos, assim como familiares de Mangudadatu, incluindo sua esposa e duas irmãs.

Manguddatu acusou o líder do clã rival, Andal Ampatuan, de haver ordenado o massacre e ao filho dele, também chamado Andal Ampatuan, de prepará-lo e executá-lo. O porta-voz do gabinete de imprensa da Presidência, Cerge Remonde, confirmou que as autoridades das Filipinas permitirão que o principal suspeito do massacre, Andal Ampatuan filho, membro do partido governante, continue em liberdade enquanto é investigado. "Temos um processo aberto e devemos seguir, é preciso deixar que os agentes realizem as investigações", disse Remonde à imprensa.

O porta-voz afirmou que só se ordenará a detenção de Ampatuan quando "existam suficientes evidências" de sua implicação. Até o momento, nenhum suspeito foi detido por sua relação com o massacre. Nesta quarta-feira, Gloria Arroyo prometeu justiça. "A presidente tem muita clareza de que os responsáveis, independentemente de quem sejam, devem ser trazidos perante as barras da justiça", afirmou o porta-voz presidencial, Cerge Remonde.

Tanto em Maguindanao, controlada pelo clã dos Ampatuan, como em Sultan Kudarat, bastião do clã dos Mangudadatu, considerado próximo ao rebelde Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI) e também na cidade de Cotabato, o Exército foi autorizado a impor o toque de recolher e revistar casas sem mandamento judicial.

O massacre aconteceu a seis meses das eleições gerais, inquieta o partido que governa as Filipinas, Lakas-Kampi, que contou com fundamental apoio dos Amputuan para conseguir vitória na província.

O governo filipino tem pouca influência no sul do país, que é dominado por poderosos clãs. Para lidar com a disputa local, as famílias mantêm verdadeiros exércitos privados. Devastada pela violência política, a região também é alvo de ataques de insurgentes islâmicos. De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras, esse é o pior massacre de jornalistas do mundo - estima-se que pelo menos 20 tenham sido assassinados.





Tópicos: Filipinas

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