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Motorista de Bin Laden será julgado em Guantánamo

17 de julho de 2008 | 21h 48
REUTERS

Um iemenita que pode

se tornar a primeira pessoa julgada pela corte de crimes de

guerra dos Estados Unidos na base naval de Guantánamo foi mais

do que um motorista para Osama Bin Laden, disseram agentes

norte-americanos na quinta-feira.

Salim Hamdan transportou armas e disse ter jurado

fidelidade ao líder da Al Qaeda, tendo também recebido

pagamento por seus serviços diretamente de Bin Laden, disseram

agentes a um juiz em audiências anteriores ao julgamento na

base norte-americana em Cuba. Hamdam foi capturado no

Afeganistão em 2001.

Advogados do acusado de terrorismo, que enfrenta o primeiro

tribunal norte-americano de crimes de guerra desde a Segunda

Guerra Mundial, dizem que Hamdan era apenas um motorista e

mecânico de Bin Laden, que fazia o trabalho por que precisava

do pagamento mensal de 200 dólares.

Em depoimento que durou mais de dois dias, agentes federais

disseram que Hamdan os indicou a localização dos esconderijos e

campos de treinamento de Bin Laden no Afeganistão.

"Salim descreveu a promessa de um voto sagrado de

fidelidade a Osama Bin Laden", disse Robert McFadden, um agente

do Serviço de Investigação Criminal da Marinha que interrogou

Hamdan em Guantanamo em 2003.

O agente mostrou Hamdan e Bin Laden juntos em uma

fotografia exibida à corte, notando que ambos carregavam

rifles.

Hamdan será julgado na segunda-feira acusado de conspiração

e de apoiar materialmente os terroristas. Uma corte federal em

Washington rejeitou os esforços de seus advogados de adiarem o

julgamento para a próxima quinta-feira. Hamdan, que tem pouco

menos de quarenta anos, pode pegar a pena de prisão perpétua.

A corte de crimes de guerra dos EUA, estabelecida para

julgar suspeitos de terrorismo depois dos ataques de 11 de

setembro de 2001, tem sido considerada injusta por grupos de

direitos humanos.

Os advogados de Hamdan argumentaram que um decreto da

Suprema Corte dos EUA no mês passado garantiu aos prisioneiros

de Guantánamo --cerca de 265 no momento-- direitos

constitucionais fundamentais.



Tópicos: EUA, JULGAMENTO, GUANTANAMO