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Mousavi diz que é pressionado para retirar denúncias eleitorais

Líder da oposição diz pela 1ª vez que está sendo isolado por autoridades para que não apareça em público

25 de junho de 2009 | 8h 16

O candidato reformista derrotado e líder da oposição Mir Hussein Mousavi afirmou em seu site nesta quinta-feira, 25, que está sendo pressionado para retirar sua demanda de anulação das eleições que garantiram a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. Mousavi disse ainda que seu acesso à população está sendo restringido e que a nação iraniana tem o direito de protestar contra o resultado eleitoral.

Mousavi apareceu em público poucas vezes desde a eleição - AP/arquivo
AP/arquivo
Mousavi apareceu em público poucas vezes desde a eleição

Mousavi, que tem aparecido raras vezes em público desde a eleição do dia 12 de junho, falou pela primeira vez que está sendo isolado pelas autoridades iranianas. Ele denunciou uma fraude massiva na disputa presidencial e insiste que é o legítimo ganhador da votação. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, declarou Ahmadinejad como vencedor e afirmou que a eleição não será anulada. "Não me absterei de garantir os direitos do povo iraniano por causa de interesses pessoais ou medo de ameaças", garante ele em declaração publicada na página de seu jornal, o Kalemeh, na internet.

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"Eu insisto no direito constitucional da nação de protestar contra o resultado da eleição e suas consequências... Eu critico vigorosamente o fechamento do jornal Kalameh-ye Sabz e a prisão daqueles que trabalhavam lá... O confrontamento ilegal com a mídia abre o caminho para interferência estrangeira", disse ele em um comunicado. Mousavi era o diretor-administrativo do jornal Kalameh-ye Sabz, que foi fechado no início desta semana. "Tais comportamentos ilegais (fechamento do jornal), infelizmente farão com que a sociedade busque informação da mídia estrangeira", disse Mousavi.

O líder da oposição disse que está determinado a continuar lutando contra a "grande fraude" na eleição presidencial apesar da pressão para parar, informou seu site. "Eu estou sendo pressionado a abandonar minha exigência para o anulação dos votos... Uma grande fraude aconteceu... Eu estou preparado para provar que aqueles por trás da fraude são os responsáveis pelo derramamento de sangue... A continuação de protestos legais e calmos irá garantir a realização dos nossos objetivos", disse.

O candidato reformista lamentou o respaldo do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ao atual presidente, e disse que seu apoio "é um gesto positivo em condições normais, mas nas circunstâncias atuais, não favorece o país".

A oposição iraniana decidiu suspender concentração prevista para esta quinta, depois da forte repressão nesta quarta-feira da polícia e os grupos de milicianos islâmicos Basij, ligados ao governo, de uma manifestação contra o Parlamento. Segundo explicaram os partidários do clérigo reformista Mehdi Karroubi, também derrotado nas eleições, ficou decidido cancelar a cerimônia que seria realizada em lembrança às pessoas mortas nos últimos 13 dias de protestos pelo resultado das eleições presidenciais de 12 de junho.

O Irã é palco há quase duas semanas de mobilizações e enfrentamentos nos quais morreram pelo menos 20 pessoas, segundo fontes oficiais. As manifestações foram organizadas pelos três candidatos perdedores das eleições, que denunciaram uma grande fraude em favor do atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, que obteve uma inesperada vitória no primeiro turno. O regime iraniano, no entanto, acusou países ocidentais, especialmente Estados Unidos e Reino Unido, de conspirar com o objetivo de forçar o que Teerã chama de "uma revolução de veludo".