MSF denuncia abusos no Bahrein
ONG afirma que autoridades transformaram hospitais em 'lugares a serem temidos'
SÃO PAULO - Autoridades do Bahrein transformaram os hospitais do país em "lugares a serem temidos", durante a sangrenta repressão às manifestações contra o governo dessa nação do Golfo Pérsico, denunciou nesta quinta-feira, 7, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteira (MSF).
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Em nota divulgada à imprensa, a entidade humanitária denunciou a detenção de opositores feridos que foram socorridos em hospitais pelo país. De acordo com o MSF, as forças de segurança do Bahrein usaram os hospitais e os centros de saúde como "iscas para identificar e prender opositores que ousassem buscar tratamento médico".
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O centro médico de Salmaniya, na capital do Bahrein, foi tomado pelo exército. Centenas de manifestantes feridos nos protestos contra o governo foram tratados na instituição de saúde. Diversos médicos e pacientes do hospital foram interrogados e detidos pelas forças de segurança, denunciou o grupo humanitário.
"A ação dos militares de declarar o hospital um alvo militar legítimo e o uso do sistema de saúde como uma ferramenta do aparato de segurança ignora completamente o fato de que todos os pacientes têm direito a tratamento em um ambiente seguro, e que todo o pessoal médico tem o dever fundamental de administrar tratamento sem discriminação", diz Christopher Stokes, diretor-geral do Médicos Sem Fronteiras, citado na nota divulgada pela entidade.
O governo do Bahrein declarou estado de emergência no mês passado e passou a reprimir os protestos da maioria xiita contra a monarquia sunita que controla o país. Os manifestantes exigiam reformas políticas profundas e direitos iguais para a comunidade xiita. Pelo menos 27 pessoas morreram na repressão aos protestos. Centenas mais ficaram feridas em confrontos com as tropas de choque e em operações de captura de dissidentes.
Também hoje, a agência de notícias Associated Press informou que o príncipe herdeiro do Bahrein, Salman bin Hamad al-Khalifa, ameaçou voltar a recorrer à repressão violenta se os opositores retomarem os protestos contra a família real. "Aqueles que tentam dividir nossa sociedade em duas não serão tratados com suavidade", advertiu. Ele afirmou ainda que a monarquia bareinita promoveria "reformas", mas não entrou em detalhes.
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