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Mugabe acusa Reino Unido de financiar oposição do Zimbábue

Em primeiro discurso após eleições, presidente nega que governo desrespeite direitos humanos no país

18 de abril de 2008 | 9h 42
Agências internacionais

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, atacou a oposição e o Reino Unido, ex-metrópole do país africano, em seu primeiro discurso desde a eleição presidencial realizada em 29 de março. O líder africano afirmou que Londres, paga a população para se voltar contra o governo e financia os que criticam a administração.   Veja também:   África do Sul pede resultados de eleições no Zimbábue   O Zimbábue lembra nesta sexta mais um aniversário de sua independência do Reino Unido, uma comemoração marcada pela grave crise política e econômica. Mugabe, que está no poder desde a separação do reino britânico, em 1980, fez uma série de insultos contra Londres para um grupo de 15 mil pessoas: "abaixo aos britânicos, abaixo aos ladrões que querem roubar o nosso país". "Usam o dinheiro como uma arma, literalmente comprando parte de nossa gente para se voltar contra o governo, que aceitam a manipulação política e abandonam os seus direitos", insistiu.   A independência é comemorada em meio ao aumento da pressão da comunidade internacional para que as autoridades eleitorais divulguem os dados da apuração e evitem uma possível onda de violência. O presidente de 84 anos, considerado como um herói regional pela luta contra o colonialismo, não fez nenhuma referência sobre alguma solução para a crise política do país após negar a divulgação dos resultados oficiais do pleito presidencial.   Mugabe estendeu suas críticas aos britânicos e rivais políticos, afirmando que os opositores são "lacaios" que recebem dinheiro para confundir a população. "O Zimbábue não voltará a ser uma colônia", insistiu. O presidente negou ainda que seu país viole os direitos humanos e insistiu que o governo tem sido democrata desde a independência. "Somos os que trouxeram a democracia ao país".   O Zimbábue atravessa a crise econômica mais grave de sua história, com uma taxa de desemprego de 80% e uma inflação de 165.000%. Milhões de pessoas deixaram o país na busca por oportunidades e se mudaram para Moçambique, uma das nações mais pobres do planeta. Mugabe mencionou superficialmente estes inconvenientes, e disse que o governo "está tentando aliviar o sofrimento do povo". "Sabemos que o maior problema são os preços", acrescentou.   O regime de Mugabe, acusado de violar os direitos humanos e de fraudar as eleições de 2002 e 2005, sustenta que não houve um vencedor absoluto no pleito presidencial de 29 de março, o que levará a disputa ao segundo turno.