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Musharraf pode renunciar em troca de imunidade, dizem fontes

15 de agosto de 2008 | 11h 34
ZEESHAN HAIDER - REUTERS

O presidente do Paquistão, Pervez

Musharraf, prefere renunciar a sofrer um processo de

impeachment, mas exige imunidade jurídica e garantias de um

lugar seguro para viver, disseram fontes da coalizão governista

na sexta-feira.

Na semana passada, o governo, comandado pelo partido da

ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada em um

atentado, anunciou a intenção de abrir um processo de

impeachment contra o general-presidente pró-americano, que

chegou ao poder em 1999 graças a um golpe de Estado.

Desde que surgiu a notícia do processo, crescem as

especulações sobre a renúncia de Musharraf -- novamente

desqualificadas na sexta-feira por um porta-voz, segundo quem

"rumores maliciosos e infundados" estão afetando a economia.

Mas fontes governistas dizem que continua a negociação

sobre os termos da renúncia, embora haja discordâncias entre os

dois principais partidos da coalizão sobre julgar ou não

Musharraf após sua saída do cargo.

"Ele está preparado para renunciar, mas está impondo

condições como a imunidade em relação à ação de 3 de novembro

(de 2007)", disse uma fonte, pedindo anonimato e se referindo à

data em que Musharraf decretou estado de emergência durante

seis semanas, cassando garantias constitucionais dos cidadãos.

"As negociações de bastidores prosseguem. As coisas ainda

não foram finalizadas. Vejamos o que acontece", disse essa

fonte.

O poder de Musharraf diminuiu consideravelmente depois que

ele perdeu a maioria parlamentar na eleição de fevereiro. A

crise política preocupa aliados ocidentais do Paquistão, devido

ao risco de instabilidade nesse país que tem armas nucleares e

enfrenta a violência de militantes islâmicos.

Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, disse que as

especulações sobre a renúncia de Musharraf são parte de uma

"usina de rumores", mas que os EUA consideram que cabe aos

paquistaneses definir quem os governa.