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Não cabe ao Brasil julgar o que acontece no Irã, diz Amorim

Ministro das Relações Exteriores evita opiniar sobre impasse político; 'país tem sistema' próprio, afirma

22 de junho de 2009 | 18h 58
Gabriel Pinheiro - estadao.com.br

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, evitou nesta segunda-feira, 22, opinar sobre a crise política iraniana. Indagado sobre o impasse por jornalistas no programa Roda Viva, da TV Cultura, o chanceler afirmou que "não cabe ao Brasil dizer o que o Irã tem que fazer". "O país tem o sistema dele. Bom ou mau, isso cabe ao povo iraniano julgar (...) não cabe ao Brasil tomar uma posição."

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Sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à crise, que qualificou na semana passada os protestos da oposição iraniana pela anulação do pleito presidencial como demonstrações "de quem perdeu", Amorim descartou avaliar a opinião como precipitada. "Tudo indicava que naquele momento o resultado estava adequado", disse. "Ele não tomou posição, deu uma análise com os dados que dispunha."

Defendendo a avaliação de Lula, o chanceler destacou que "foi uma eleição em que houve muito debate, muita discussão. Não é muito lógico que em uma votação dessa natureza tenha havido irregularidades tão massivas que conduzissem a um resultado de 63%", acrescentou, referindo-se aos números oficiais que deram a reeleição ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. "Efetivamente, está havendo um reexame dos votos. Nós acompanhamos."

Segundo Amorim, o convite para a visita de Ahmadinejad ao País - que cancelou uma viagem oficial em maio -, "nunca foi retirado". "O Irã é um importante interlocutor para a cena do Oriente Médio e questão nuclear", explicou. "Devemos ter uma relação de Estado para Estado, como temos com muitos outros."

Na época, o governo israelense protestou contra a visita, assim como entidades homossexuais e de defesa de direitos humanos em São Paulo e Rio de Janeiro, pelas duras posições de Ahmadinejad, que já chegou a dizer que o Estado Judeu deveria deixar de existir. O chanceler rebateu as críticas sobre o diálogo entre Irã e Brasil. "Em quantos países ocorreram coisas que também não apreciávamos? Isso não impediu nosso diálogo com eles."

OEA e Conselho de Segurança

Sobre o papel do País na reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, Amorim afirmou que o Brasil "não quer posar de intermediário". "Quando há o desejo de um ou de outro [para a interlocução], nós fazemos. Mas o Brasil não toma iniciativas nesse campo", disse, destacando que as relações de Havana com Washington foram tratadas no encontro de Lula com o presidente Barack Obama, em março.

A entrada do País no Conselho de Segurança da ONU também foi abordada pelos jornalistas que participavam da entrevista. O chanceler disse que "não há uma campanha" para a obtenção de uma vaga no órgão, mas uma "caminhada que o Brasil não faz isolado". "O processo de reforma [no Conselho] terá que acontecer, porque há muitos outros países que hoje são importantes. É algo que tem avançado, mas longe de mim achar que é uma questão fácil", opinou.

Governo Obama

 

Para o chanceler, Obama e Lula têm muito em comum. "O Brasil e os EUA têm um diálogo ótimo, já tinham também no governo Bush. Agora, o presidente Obama tem muito mais semelhança com o presidente Lula, de preocupação com o social", afirmou.

"Tivemos excelente relações no G-20 e na OEA. Obama compreende mais o que está em jogo nos países da América do Sul", acrescentou Amorim. Ele descartou avaliar, entretanto, se o País terá prioridade na nova Casa Branca. De acordo com Amorim, a questão prioritária é "relativa". "O Iraque teve prioridade, e eu não sei se isso foi bom", concluiu.



Tópicos: Irã, Eleições