Nestor Kirchner diz que resultado foi uma 'surra' eleitoral
Mesmo perdendo apoio da classe média e das principais cidades, presidente elogia votação da esposa
O presidente Néstor Kirchner fez uma análise do resultado das eleições do último domingo e considerou que a vitória de sua esposa, Cristina Fernández de Kirchner, por 44,91% dos votos, foi uma "surra" eleitoral, segundo o jornal Clarín informou nesta terça-feira, 30. Veja Também Cristina Kirchner visitará Brasil antes da posse Cristina terá maioria legislativa Derrotada, Carrió se proclama líder da oposição Cristina tem melhor eleição que seu marido Perfil de Cristina Cristina é a 9ª presidente na América No balanço das eleições feito pelo presidente, junto com seu chefe de Gabinete, Alberto Fernández, e o secretário da Presidência, Oscar Parrili, Kirchner afirma que está "muito satisfeito, não só por 45% e os 22 pontos de vantagem, mas ganhamos em 21 províncias e perdemos só em três: Córdoba, San Luis e Capital". Kirchner não mencionou que Buenos Aires é um dos distritos mais importantes do país porque marca tendência. Tanto que na segunda mereceu a mágoa e a bronca do ministro Fernández, que chamou os portenhos de "soberbos", além de acusá-los de votarem "como uma ilha". Em diferentes entrevistas de rádio e de televisão, Fernández lamentou que a classe média argentina não tenha confiado em Cristina. Kirchner disse que "com Cristina, os argentinos terão uma surpresa. Isso porque ela está muito bem preparada". Segundo ele, Cristina "é muito estudiosa, chega a ser obsessiva com alguns assuntos, e com ela teremos uma etapa de maior institucionalização. Algumas coisas nós não pudemos fazer". No novo mapa político argentino, a frente governista garantiu maioria no Senado e quórum próprio na Câmara dos Deputados e, além disso, elegeu sete dos oito novos governadores, que também foram escolhidos na eleição de domingo. Sobre a adversária de Cristina, a deputada Elisa Carrió, que obteve 22,95% dos votos e ficou em segundo lugar, Kirchner disse não entender por que ela fala de "eleição extraordinária se ganhou em só um distrito", Capital Federal. Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, recebeu 23% dos votos, venceu a presidente eleita na capital federal e em outras cidades argentinas, como Mar del Plata e Bahia Blanca, na província de Buenos Aires. Kirchner queixou-se que Carrió não telefonou para cumprimentá-lo por sua vitória em 2003, quando foram adversários de campanha, e tampouco o fez agora com Cristina. Roberto Lavagna, candidato do UNA (Uma Nação Avançada), superou os votos da candidata oficial na província de Córdoba, uma das maiores do país. "Foi a advertência mais séria que o governo recebeu das urnas. Houve, claramente, um divórcio entre o apoio que foi dado ao governo Kirchner e a Cristina", observou o analista político Eduardo van der Kooy, do canal 13 de televisão. Denúncias Em relação ao Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) e aos índices suspeitos de manipulação, o presidente disse que "vão sair novos índices, mas nós não manipulamos nada". Ele comentou ainda que o "Fundo Monetário prognosticou que ia ter um 12% de inflação no país, algo parecido ao que dão nossas medições. Mas a campanha eleitoral terminou esquentando o clima e também distorcendo o debate". Kirchner disse que a partir do dia 10 de dezembro vai trabalhar na Fundação Calafate, a qual é presidida atualmente pelo ministro Fernández. Além disso, "tenho convites para dar conferências em muito lugares do mundo", se gabou. "Na Argentina não queremos nos dar conta do interesse que existe pelo país. Querem saber como fizemos para sair do abismo, e claro, farei política. A aposta pela Concertação é seria. Já verão que não era uma questão eleitoral, o país necessita dessa ferramenta política para sustentar o crescimento", concluiu. (com BBC Brasil)
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