'Nunca mandamos matar adversários', diz Fidel sobre dissidente
Em artigo sobre visita de Lula, ex-presidente diz que críticas a brasileiro são obras da inveja e do imperialismo
O ex-presidente cubano Fidel Castro disse em um artigo publicado nesta terça-feira, 2, na imprensa oficial cubana que nunca mandou matar um inimigo político. Foi a primeira manifestação do líder desde a morte do ativista Orlando Zapata, vitimado por uma greve de fome de 85 dias. Ele foi o primeiro prisioneiro político morto em Cuba desde 1972.

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Leia a íntegra do artigo de Fidel (em espanhol)
"Lula sabe que em nosso país nunca se torturou ninguém, nunca se mandou matar um adversário e nunca se mentiu ao povo", escreveu o ex-presidente em um artigo sobre a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fidel também saiu em defesa do presidente brasileiro, criticado por não se pronunciar ativamente em favor dos direitos humanos em Cuba.
"Os que invejam seu prestígio e sua glória, e pior, que estão a serviço do império, o criticaram por visitar Cuba. Utilizaram com ele as mesmas calúnias que usam contra nós há meio século", acrescentou Fidel.
A televisão estatal cubana exibiu uma reportagem na qual acusa a 'contrarrevolução' de organizar uma campanha de difamação para ocultar atendimento médico que Zapata teria recebido.
De acordo com o relatório de 2009 da ONG Anistia Internacional (clique para ler em inglês) sobre a situação dos direitos humanos em Cuba, as principais violações cometidas pelo governo de Raúl Castro consistem na restrição à liberdade de expressão e de associação e em prisões arbitrárias de opositores.
Jornalistas independentes e dissidentes enfrentam prisões temporárias como forma de assédio. Detenções arbitrárias são efetuadas pelo judiciário cubano sob a acusação genérica de 'periculosidade'. Em fins de 2008, o regime castrista mantinha 58 prisioneiros políticos na ilha. Não houve execuções neste ano.
A pena de morte foi comutada por prisão perpétua pelo presidente Raúl Castro, que também liberou o uso de celulares e outros bens de consumo apesar de continuar restringindo o acesso a internet. O embargo imposto pelos EUA desde 1962 impede os moradores da ilha de pleno acesso à alimentação.
As estimativas de execuções desde a revolução cubana variam entre 550, estipulada pelo historiador Thomas Skidmore para os seis primeiros meses da revolução, e 12 mil, número divulgado por organizações anticastristas em Miami.
Prisões
Zapata morreu na terça-feira da semana passada e foi enterrado na quinta. O governo cubano prendeu cerca de 50 dissidentes para impedi-los de comparecer ao funeral. Desde a morte do ativista, a oposição cubana diz que a polícia prendeu ao menos 126 pessoas.
Na lista de afetados pelas detenções que a Comissão Cubana para Direitos Humanos (CDHRN) qualifica de "arbitrárias" está o jornalista e psicólogo Guillermo Fariñas, que está em greve de fome em sua casa, na cidade de Santa Clara, desde quarta-feira, quando a polícia o impediu de assistir o enterro de Zapata.
Também figuram na lista a blogueira Yoani Sánchez, que foi presa por agentes do governo cubano duas vezes em Havana nos últimos dias, e líderes de grupos dissidentes como Manuel Cuesta Morua, do Arco progressista.
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