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Obama defende solução de Estados israelense e palestino

Presidente reforça 'vínculo inquebrável' com Israel, mas apoia \"legítimas\" aspirações de nação palestina

04 de junho de 2009 | 8h 30

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira, 4, que apoia as "legítimas" aspirações dos palestinos a um Estado, reiterando que a única solução para o conflito no Oriente Médio é a coexistência de duas nações, a israelense e a palestina, onde os dois povos vivam em paz e segurança. "Buscarei pessoalmente este resultado com toda a paciência que esta tarefa requer", prometeu Obama, em seu discurso no Cairo ao mundo muçulmano, no qual fez uma chamada a todas as partes envolvidas para "cumprir nossas responsabilidades", a fim de acabar com o conflito no Oriente Médio.

Obama discursou na Universidade do Cairo - AP
AP
Obama discursou na Universidade do Cairo

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O discurso de reconciliação com o mundo islâmico que Obama fez no Cairo não trouxe novas propostas políticas americanas para o conflito, mas assinalou medidas consideradas por ele necessárias para superar a questão. O presidente americano afirmou que o "Hamas deve acabar com a violência, reconhecer os acordos passados e o direito do Estado de Israel de existir". "A Autoridade Palestina deve desenvolver a capacidade de governar, com instituições que atendam às necessidades de seu povo". "Não é um sinal de valentia ou de poder disparar foguetes contra crianças que dormem ou fazer voar pelos ares idosas em um ônibus", "assim não se obtém autoridade moral; assim é como se perde".

Obama ressaltou o "vínculo inquebrável" dos EUA com Israel, mas afirmou que a situação dos palestinos é intolerável. "Ao mesmo tempo, os israelenses devem reconhecer que não é só o direito de Israel existir que não pode ser negado, mas também o da Palestina. Os EUA não aceitam a legitimidade da continuação dos assentamentos israelenses" na Cisjordânia e nos arredores de Jerusalém, afirmou o presidente americano. "É a hora para que estes assentamentos acabem". Sobre Jerusalém, capital disputada por israelenses e palestinos, Obama afirmou que a cidade deve ser "a casa segura e estável para judeus, cristãos e muçulmanos".

Além disso, Israel "deve cumprir com suas obrigações para garantir que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver sua sociedade". A melhora das condições de vida dos palestinos, segundo Obama deve ser parte do caminho para a paz e Israel "deve adotar passos concretos para permitir essas melhorias". Porém, insistiu, a responsabilidade não recai apenas aos israelenses e palestinos, e os países árabes devem fazer sua parte: ajudar os palestinos a desenvolver as instituições necessárias para sustentar um Estado e reconhecer a legitimidade de Israel e não usar mais o conflito para distrair suas populações de outros problemas. Deve-se "escolher o progresso, em vez de um olhar para o passado que só leva à autoderrota".

Obama afirmou que está comprometido com governos "que reflitam o bem-estar de seu povo" e que "nenhum sistema de governo deve ser imposto de uma nação para outra". "Não podemos impor a paz", mas muitos muçulmanos reconhecem em particular que Israel não vai desaparecer e muitos israelenses admitem a necessidade de um Estado palestino. "Chegou o momento que agirmos a favor do que todos sabem que é verdade", sustentou. "Todos nós compartilhamos uma responsabilidade de trabalhar a favor do dia em que as mães dos israelenses e dos palestinos possam ver seus filhos crescer sem medo", afirmou.

O presidente americano também se referiu ao sofrimento do povo judeu durante séculos e o Holocausto, cuja negação seria um sinal de "baixeza, ignorância e grande ódio". "Ameaçar Israel com a destruição, ou repetindo infames estereótipo sobre os judeus, é um profundo erro e serve somente para evocar na mente dos israelenses a maior dor que eles recordam enquanto impede a paz que as pessoas da região merecem".