Obama e McCain farão comunicado conjunto sobre crise
Candidatos sugerem ação bipartidária; republicano suspende campanha e pede adiamento de debate
Logo após a campanha do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, ter divulgado um comunicado afirmando que ele suspenderia a sua campanha e voltaria a Washington para participar dos debates sobre o plano de socorro de US$ 700 bilhões da administração federal, a campanha do candidato democrata, Barack Obama, veio à público informar que os dois rivais estão trabalhando juntos em um comunicado sobre a crise financeira. A iniciativa foi tomada pelo senador democrata, afirmou seu porta-voz, Bill Burton. "Às 8h30 desta manhã, o senador Obama perguntou ao senador McCain se ele concordaria em emitir um comunicado conjunto ressaltando os princípios compartilhados pelo dois e as condições para a proposta do Tesouro", declarou Burton em e-mail à imprensa. Veja também: Obama se recusa a adiar debate com McCain Campanha de McCain é envolvida na crise financeira Crise financeira faz Obama subir nas pesquisas Obama x McCain Entenda o processo eleitoral Cobertura completa das eleições nos EUA Entenda a crise nos EUA "Ele pediu ao Congresso e a Casa Branca para agirem de maneira bipartidária para aprovar o plano", continuou o porta-voz. "Nesta tarde, McCain retornou à chamada de Obama e concordou em se juntar a ele em um comunicado conjunto. Agora, as duas campanhas trabalham nos detalhes", concluiu. Ainda nesta quarta-feira, 24, McCain pediu o adiamento de um debate marcado para a noite de sexta com Obama. "Estou direcionando a minha campanha para trabalhar com a de Obama e com a Comissão para Debates Presidenciais para adiar o debate de sexta-feira até tomarmos uma ação para a crise", acrescentou McCain em nota. Logo após o pedido do rival, Obama se recusou a adiar o debate, dizendo agora ele é "mais necessário do que nunca". "O (futuro) presidente terá que ocupar-se de mais de um assunto ao mesmo tempo", indicou Obama, ao explicar porquê acreditava que o compromisso deveria seguir marcado. "É neste momento que os americanos precisam ouvir a pessoa que, dentro de aproximadamente 40 dias, será responsável por lidar com este desastre." A Comissão de Debates Presidenciais dos Estados Unidos (CPD, em inglês) também negou o pedido de McCain. Em comunicado, o grupo informou que "segue com seu plano" de realizar "o primeiro debate
presidencial na sexta-feira, na Universidade do Mississipi, em Oxford." "Os planos para este fórum estão em andamento há mais de um ano e meio. A missão do CPD é proporcionar um fórum no qual o público norte-americano tenha uma oportunidade para ouvir os candidatos líderes para a Presidência dos Estados Unidos debaterem questões críticas diante da nação", informa o texto do comunicado. "Acreditamos que o público será bem servido em ter todos os debates prosseguindo conforme o programado." Apoio da Casa Branca A Casa Branca declarou que o apoio bipartidário de McCain e Obama será útil para alcançar um acordo sobre o plano de socorro financeiro. "A crise no mercado financeiro é um grande problema que exige uma grande solução e resolver isto de uma forma bipartidária vai ajudar a evitar que os danos econômicos se espalhem de Wall Street para todos os americanos", disse a porta-voz Dana Perino. "Estamos fazendo progressos nas negociações sobre a legislação de socorro aos mercados financeiros, mas ainda não terminamos", continuou. "O apoio bipartidário dos senadores McCain e Obama será útil para conduzir a uma conclusão." McCain disse que não acredita que o plano de US$ 700 bilhões proposto pelo presidente George W. Bush será aprovado pelo Congresso americano em sua forma atual. "É hora dos dois partidos (Democrata e Republicano) se unirem para resolver esse problema", declarou o republicano. A administração Bush pressiona o Congresso para aprovar o plano de resgate, alegando que o pacote é necessário para evitar sérias conseqüências para a economia. O presidente americano vai abordar a situação em um pronunciamento para televisão nesta quarta, a partir das 22 horas (horário de Brasília), intensificando a pressão da Casa Branca para a aprovação das medidas ainda nesta semana. (Matéria atualizada às 20h10)
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