Obama nega ter dado guinada ao centro em campanha presidencial
O senador Barack
Obama negou na terça-feira que tenha dado uma guinada ao centro
em questões como a guerra do Iraque desde que se tornou o
candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados
Unidos.
Nas últimas semanas, ele abandonou a promessa de renegociar
o Nafta (tratado de livre-comércio da América do Norte), não se
manifestou contra uma decisão pró-armas da Suprema Corte e
disse que apoiaria a ampliação dos poderes do governo para
realizar escutas telefônicas.
Ainda mais recentemente, sinalizou flexibilidade na
promessa de retirar rapidamente as tropas do Iraque, dizendo a
jornalistas na semana passada que iria "refinar" suas posições
com base nos fatos.
Questionado sobre o tema num encontro com eleitores em
Powder Springs, Obama negou que esteja revendo a desocupação do
Iraque e desqualificou também "toda a noção de que eu estaria
dando uma guinada para o centro ou virando a casaca a respeito
disso ou daquilo".
"Quem diz isso aparentemente não está me escutando",
acrescentou.
A campanha de McCain acusa Obama de mudar de posições de
acordo com as conveniências políticas -- uma tática que George
W. Bush empregou com sucesso contra o democrata John Kerry em
2004.
Na terça-feira, McCain disse à Fox News que
"definitivamente houve mudança de posições (de Obama), e uma
delas é o Iraque."
Obama, que tem uma estreita vantagem sobre McCain nas
pesquisas, também sofre críticas de alguns simpatizantes da
esquerda, especialmente por ter apoiado um projeto sobre a
espionagem eletrônica.
Analistas acham que o democrata está adotando posições mais
centristas na esperança de conquistar os eleitores
independentes, os democratas moderados e alguns republicanos
desiludidos com Bush.
Mas Obama diz que, embora nem sempre vá concordar com todos
os seus eleitores, é preciso que estes saibam que as
discrepâncias não se devem à mera conveniência política.
"Uma das coisas que você descobre na campanha é que todo
mundo fica tão cínico com a política que o pressuposto é de que
você precisa fazer qualquer coisa por razões políticas. Não
pressuponham que se eu não concordo com vocês a respeito de
algo é por estar agindo politicamente", afirmou.
(Reportagem adicional de Jeff Mason)
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