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Obama nega ter dado guinada ao centro em campanha presidencial

08 de julho de 2008 | 17h 52
CAREN BOHAN - REUTERS

O senador Barack

Obama negou na terça-feira que tenha dado uma guinada ao centro

em questões como a guerra do Iraque desde que se tornou o

candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados

Unidos.

Nas últimas semanas, ele abandonou a promessa de renegociar

o Nafta (tratado de livre-comércio da América do Norte), não se

manifestou contra uma decisão pró-armas da Suprema Corte e

disse que apoiaria a ampliação dos poderes do governo para

realizar escutas telefônicas.

Ainda mais recentemente, sinalizou flexibilidade na

promessa de retirar rapidamente as tropas do Iraque, dizendo a

jornalistas na semana passada que iria "refinar" suas posições

com base nos fatos.

Questionado sobre o tema num encontro com eleitores em

Powder Springs, Obama negou que esteja revendo a desocupação do

Iraque e desqualificou também "toda a noção de que eu estaria

dando uma guinada para o centro ou virando a casaca a respeito

disso ou daquilo".

"Quem diz isso aparentemente não está me escutando",

acrescentou.

A campanha de McCain acusa Obama de mudar de posições de

acordo com as conveniências políticas -- uma tática que George

W. Bush empregou com sucesso contra o democrata John Kerry em

2004.

Na terça-feira, McCain disse à Fox News que

"definitivamente houve mudança de posições (de Obama), e uma

delas é o Iraque."

Obama, que tem uma estreita vantagem sobre McCain nas

pesquisas, também sofre críticas de alguns simpatizantes da

esquerda, especialmente por ter apoiado um projeto sobre a

espionagem eletrônica.

Analistas acham que o democrata está adotando posições mais

centristas na esperança de conquistar os eleitores

independentes, os democratas moderados e alguns republicanos

desiludidos com Bush.

Mas Obama diz que, embora nem sempre vá concordar com todos

os seus eleitores, é preciso que estes saibam que as

discrepâncias não se devem à mera conveniência política.

"Uma das coisas que você descobre na campanha é que todo

mundo fica tão cínico com a política que o pressuposto é de que

você precisa fazer qualquer coisa por razões políticas. Não

pressuponham que se eu não concordo com vocês a respeito de

algo é por estar agindo politicamente", afirmou.

(Reportagem adicional de Jeff Mason)